“Quando o vento virar, estaremos bem posicionados”, diz CEO da Kinea, sobre ações

Marcio Verri, CEO e fundador da Kinea Investimentos (Foto: divulgação)

A cinética pode ser representada pela ação das forças nos corpos em movimento. Honrando o conceito que inspirou seu nome, a Kinea Investimentos se mantém em constante transformação e superando fatores internos e externos de um mercado bastante desafiador nos últimos anos.

Não à toa, a gestora que tem quase R$ 130 bilhões sob custódia foi a grande vencedora da primeira edição da Premiação Outliers InfoMoney, que reconheceu os destaques do mercado em 16 categorias. Em um evento que ouviu os próprios gestores, a Kinea levou para casa sete troféus.

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“[É como no futebol], se vencermos uma e perdermos a próxima, a torcida já quer derrubar o técnico”, brinca Marcio Verri, CEO da gestora, sinalizando que a responsabilidade aumenta com o reconhecimento. Por outro lado, “dentro de campo”, nada muda para a premiada equipe da Kinea, focada na consistência e no cliente.

“O nosso chefe é o cotista de cada fundo que estamos gerindo. Nossa missão é cumprir o mandato que recebemos do cliente”, ressalta Verri, em entrevista exclusiva ao InfoMoney.

Durante a conversa, o palmeirense – da época da fila de 17 anos sem títulos do clube paulista, faz questão de destacar – fala sobre os desafios do cenário macroeconômico para 2025, especialmente para o mercado de ações, que fazem parte da estratégia de fundos de previdência da casa. “Quando o vento virar, estaremos bem posicionados”, projeta.

Em outra vertical relevante da gestora, a de fundos imobiliários, Verri reforça o trabalho de educar o investidor em momentos de queda, como o atual. “Lembramos o cotista que ele segue recebendo o seu rendimento direitinho”, explica o executivo, que se refere à estratégia adotada pela própria mãe – investidora dos fundos da Kinea.

Confira os principais trechos da entrevista concedida por Marcio Verri, CEO e fundador da Kinea Investimentos.

Marcio Verri, CEO e fundador da Kinea Investimentos (Foto: divulgação)

InfoMoney: Qual o segredo para o reconhecimento visto na Premiação Outliers InfoMoney?

Marcio Verri: Acho que uma das coisas que a Kinea faz muito bem é não ter dúvida de quem é o nosso chefe. O nosso chefe é o cotista de cada fundo que estamos gerindo. Nossa missão é cumprir o mandato que recebemos do cliente. Pode parecer simples, mas, ao longo do tempo, eu acho que essa excelência em diversas áreas tem muito a ver com isso.

IM: Vocês levaram dois prêmios relacionados ao segmento de fundos de previdência. Como enxergam hoje este mercado e quais as apostas da Kinea?

MV: Temos um cuidado especial com os nossos fundos de previdência e procuramos fazer com que a rentabilidade deles seja exatamente igual à dos fundos abertos. E esse é um diferencial nosso.

O mercado de previdência só cresce dadas as mudanças de tributação e dinâmicas como a de come-cotas. O cliente acaba não enxergando muito a rentabilidade, mas quando você vai ver a diferença de não ter o imposto sendo arrecadado ao longo da vida, você percebe 10% ou 15% a mais do seu patrimônio. Então, acho que não tem como o mercado de previdência não continuar crescendo.

IM: E a estratégia para ações em fundos de previdência em um momento bastante desafiador para a renda variável?

“Se observarmos os fluxos para o mercado de ações, eles são negativos já há quase dois anos. Mas é uma vertical que queremos manter. Independentemente de os fundos não estarem captando, é uma vertical que para nós é estratégica. Seguramos as pessoas e fazemos com que elas tomem boas decisões de investimento, construindo histórico para, quando o vento virar, a gente esteja bem posicionado”

— Márcio Verri, CEO e fundador da Kinea Investimentos

[Neste dia,] quando o investidor fizer a diligência, ele vai falar: “esses caras estão fazendo a mesma coisa há anos, com a mesma equipe e eu tenho confiança de colocar dinheiro aqui”. Isso é superimportante e estratégico para nós.

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Marcio Verri, CEO e fundador da Kinea Investimentos (Foto: divulgação)

IM: A busca pela confiança do investidor explica um comunicado divulgado recentemente em que vocês apenas informavam aos cotistas do KORE11 que estava tudo bem com o fundo – apesar da desvalorização? E, um pouco mais distante, um outro comunicado alertando que as cotas do KIMP11 estavam sobrevalorizadas?

MV: A Kinea faz um movimento intenso de comunicação, de explicar para as pessoas que um fundo está, por exemplo, devolvendo capital e não é o momento de comprar no secundário. [Nos relatórios dos fundos,] temos sempre uma tabela de sensibilidade que mostra se a cota está com ágio e qual a expectativa de lucro de acordo com a cotação.

Diversas gestoras já estão bem mais parecidas com a nossa. E o pessoal aqui fica bravo, sabe? Falam que estão copiando o nosso site. Eu digo que devemos ficar contentes. O mercado precisa ser colaborativo e tem que ter essa evolução. Então, a gente pensa muito com essa cabeça.

IM: De qualquer forma, 2025 tem ensaiado ser um ano bastante desafiador para os fundos imobiliários? Qual a mensagem para o investidor preocupado com a desvalorização do patrimônio?

MV: Por conta da subida de juros, os fundos estão [descontados]. Alguns cotistas que entraram não aguentaram essa volatilidade e estão vendendo. A gente procura pedir tempo para as pessoas. Lembramos o investidor que ele segue recebendo o seu rendimento direitinho. Aliás, sobre este tema, tenho uma história muito engraçada com minha mãe.

IM: Qual história?

MV: Minha mãe tem a aposentadoria, uma reserva em dinheiro e eu coloco suas economias em fundos imobiliários da Kinea. Como o investimento gera uma renda recorrente, ela adora porque sabe o orçamento que tem para gastar no mês.

Mas, toda vez que muda o assessor dela no banco, ele me liga e fala: ‘a carteira da sua mãe está desenquadrada, ela tem muito risco, as cotas oscilam’. Eu respondo para o assessor ficar tranquilo porque minha mãe vai continuar recebendo o rendimento – que é a prioridade nesta estratégia de investimento. Então, é um pouco isso.

IM: Em 2024, a Kinea captou mais de R$ 6 bilhões no segmento de FIIs. Este ano, porém, o cenário mudou. Como crescer em um ambiente mais adverso?

“A gente não faz emissão abaixo do patrimonial. Com emissões nestes modelos, meu argumento de que está tudo bem e que o cotista vai recuperar o dinheiro acaba não acontecendo.”

— Márcio Verri, CEO e fundador da Kinea Investimentos

MV: Vamos imaginar um fundo que tem R$ 100 milhões, o investidor comprou a R$ 100 e a cota agora está R$ 50. E eu vou lá e faço mais uma emissão de R$ 100 milhões a R$ 50. A cota máxima agora vai ser R$ 75. Logo, o cotista do início não vai conseguir recuperar o dinheiro dele. Então, a gente não faz emissões abaixo do patrimonial para não diluir os cotistas mais antigos.

A gente adora crescer, mas não adianta se afobar. É lógico que, como temos muitos produtos, sempre estamos captando em algum lugar. Nos fundos livres, sempre está saindo dinheiro de algum lugar.

Kinea leva 7 troféus na primeira edição da Premiação Outliers InfoMoney

IM: Aliás, vocês foram premiados em seis categorias diferentes. Como manter a performance em várias frentes?

MV: A experiência que eu tive nos primeiros anos [da Kinea] serviu muito para eu pensar qual seria o modelo de sucesso para o desenvolvimento dessas verticais. Eu sou o CEO da empresa e a gente tem diversos sócios em cada uma dessas áreas. São sócios superespecializados e craques de bola nas suas verticais. São caras muito bons. Então, isso tem nos permitido fazer esse desenvolvimento. Acho que o nosso grande mérito foi conseguir achar as pessoas certas e com o perfil certo, focados em performar para o cliente.

Ser um lugar legal para trabalhar, que é uma outra coisa que pode parecer besteira, mas [também é um fator importante para] conseguir ter um padrão de qualidade de entrega de resultados constante.

IM: E, após sete troféus na Premiação Outliers InfoMoney, a responsabilidade aumenta?

MV: [É como no futebol], se vencermos uma e perdermos a próxima, a torcida já quer derrubar o técnico. Mas, falando sério, seguiremos fazendo o arroz com feijão do dia a dia. Algo como o Palmeiras, que ficou em segundo colocado no Campeonato Brasileiro em 2024 e está muito bom – apesar da reclamação de parte dos torcedores. Se sempre estivermos em segundo, uma hora buscaremos o título. É um pouco isso. Continuar focando na consistência

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