Surto de sarampo mata criança não vacinada

Criança com sarampo. Foto: Divulgação

O estado do Texas enfrenta um surto de sarampo com mais de 130 casos confirmados, resultando na primeira morte registrada de um menor de idade, informaram as autoridades de Saúde nesta quarta-feira (26). O surto ocorre em meio à queda nas taxas de vacinação e levanta preocupações sobre a disseminação da doença altamente contagiosa.

Desde o início do ano, foram confirmados 124 casos de sarampo no oeste do Texas e nove no estado vizinho do Novo México. A vítima, uma criança em idade escolar que não havia sido vacinada, foi hospitalizada na cidade de Lubbock, no noroeste do Texas, e testou positivo para a doença, segundo comunicado do Departamento de Saúde estadual.

Além disso, 18 crianças já precisaram ser hospitalizadas devido a complicações causadas pelo vírus. A maioria dos casos tem sido registrada em crianças e em comunidades onde há resistência à vacinação.

O surto coincide com o início do mandato de Robert F. Kennedy Jr. como secretário de Saúde no governo de Donald Trump. Kennedy Jr., que já manifestou dúvidas sobre a segurança das vacinas, declarou durante uma reunião de gabinete transmitida pela televisão que “duas pessoas morreram, estamos monitorando isso”.

Kennedy Jr. tem sido criticado por associar a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) ao autismo, uma relação amplamente refutada por estudos científicos. Especialistas alertam que a hesitação vacinal pode agravar a disseminação do vírus e aumentar o risco de mortes evitáveis.

O condado de Gaines, epicentro do surto, abriga uma grande população menonita, grupo cristão conhecido por relutância à vacinação. O estado do Texas permite isenções vacinais por razões de consciência, incluindo crenças religiosas, o que pode ter contribuído para o surto.

A comunidade médica destaca que o sarampo é extremamente contagioso e representa riscos graves, especialmente para crianças e pessoas não vacinadas. Segundo o médico Amesh Adalja, da Universidade Johns Hopkins, “essas mortes são quase totalmente evitáveis com a vacinação”.

A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Foto: Ministério da Saúde

O sarampo é um vírus respiratório que se espalha facilmente por gotículas expelidas ao tossir ou espirrar. Ele pode causar complicações graves, incluindo pneumonia, inflamação cerebral e até mesmo óbito. Em casos raros, também pode levar a complicações durante a gravidez, como parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Nos Estados Unidos, o sarampo foi declarado eliminado em 2000, mas surtos continuam a ocorrer anualmente, principalmente em comunidades com baixas taxas de imunização. O maior surto recente aconteceu em 2019, com 1.274 casos registrados, a maioria dentro de comunidades judaicas ortodoxas em Nova York e Nova Jersey.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), os EUA registraram 285 casos de sarampo em 2023. Especialistas alertam que, sem uma cobertura vacinal adequada, a doença pode continuar se espalhando, colocando em risco a saúde pública.

Autoridades de saúde reforçam a importância da vacinação como única forma eficaz de prevenir o sarampo e evitar novas mortes. O imunizante é seguro, amplamente disponível e faz parte do calendário vacinal infantil nos Estados Unidos.

“A vacina contra o sarampo foi desenvolvida para proteger vidas e prevenir surtos como esse. A morte de crianças por sarampo nos lembra da importância da imunização em massa”, destacou Adalja.

O aumento dos casos reacende o debate sobre políticas de imunização nos EUA e a necessidade de combater a desinformação sobre vacinas. Especialistas e autoridades de saúde seguem monitorando o surto e reforçando campanhas de conscientização para conter a disseminação da doença.

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