‘Desaparecimento voluntário’: polícia do RJ descobre pista sobre paradeiro de britânica que sumiu

A Polícia Civil descobriu que a jornalista britânica Charlotte Alice Peet, de 32 anos, tem peregrinado por diferentes locais do Rio de Janeiro nos últimos dias e recusa ligações. Ela é procurada desde que uma amiga registrou um boletim dizendo que sumiu, mas, conforme as investigações, a suspeita é de “desaparecimento voluntário”, ou seja, ela não quer manter contato com os familiares e amigos.

“A principal linha de investigação é desaparecimento voluntário. Nós temos dois números de telefone dela. No número inglês, ela recebe mensagens e ligações. O número do DDD brasileiro, de São Paulo, está programado para não receber ligações”, explicou ao G1 a delegada Ellen Souto, responsável pelo caso na Delegacia de Descoberta de Paradeiros do Rio de Janeiro (DDPA).

Segundo a investigadora, Charlotte esteve em São Paulo, mas, quando falou com a amiga pela última vez, no dia 8 de fevereiro, já estava no Rio de Janeiro. Naquela data, ela se hospedou em um hostel em Copacabana, onde permaneceu até o dia 17. Depois disso, foi para outro local, onde seguiu hospedada até o último dia 24.

Ela segue se locomovendo por vários locais do Rio de Janeiro e recusa os telefonemas, deixando claro que não quer fazer contato. Apesar disso, o caso segue en apuração na DDPA.

Relembre o caso

A amiga da jornalista procurou a Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) do Rio de Janeiro, no último dia 17, quando registrou um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento. A mulher disse que conhece Charlotte há dois anos, quando ela veio trabalhar no Brasil. Depois de um tempo, ela retornou para Londres e, em novembro do ano passado, voltou novamente.

As duas se encontraram no dia 15 de novembro passado em Santa Teresa, na região central do Rio, e mantinham contato. No último dia 8, Charlotte enviou uma mensagem dizendo que estava em São Paulo, mas estava em busca de moradia no Rio. A amiga disse que não conseguiu ajudá-la na questão e depois disso não foi feito mais nenhum contato.

Preocupada, a amiga procurou familiares da britânica, que disseram que ela não tinha enviado mais nenhuma mensagem e eles não tinham informações sobre o paradeiro dela.

Depois da denúncia de desaparecimento ser registrada na Deat, o caso foi remetido à capital paulista para as devidas investigações, já que ela disse que estava em São Paulo antes de sumir.

Quatro dias antes disso, no entanto, ela fez uma publicação no Facebook, em um grupo de aluguel de apartamentos, dizendo que buscava um quarto em Londres.

“Olá. Estou procurando um quarto duplo no sudoeste/leste de Londres: East Dulwich, Brixton, Herne Hill, Clapham, Balham, Streatham, Camberwell, etc, ou consideraria me aventurar no leste para o lugar certo. Sou uma jornalista de 32 anos, amigável, respeitosa e organizada. Adoro ler, me manter ativa e conversar com os amigos. Deixe-me saber se pareço uma boa opção! Obrigada!“, escreveu Charlotte.

O caso seguiu em apuração pela polícia paulista, que descobriu que a britânica embarcou em um ônibus no Terminal Rodoviário do Tietê, na capital paulista, com destino ao Rio de Janeiro.

Dessa forma, a investigação foi assumida pela DDPA do Rio de Janeiro e o caso permanece em apuração.

Quem é a jornalista?

Charlotte é jornalista freelancer, que se descreve no LinkedIn como “fluente em português” e afirma que tem nove anos de experiência em reportagens. Ela destacou no perfil ser amante de viagens.

A britânica estudou filosofia na Universidade de Bristol antes de fazer mestrado em jornalismo internacional na City St George’s, a Universidade de Londres. Em março do ano passado, passou a atuar como líder de equipe editorial na plataforma de geração de dados Mindrift.

A jornalista também já teve reportagens publicadas em veículos de diversos países, como “Al Jazeera”, “The Times”, “The Independent”, “The Evening Standard”, “The Telegraph” e “Vice World News”.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.