A mina de ouro está nas ações? Saiba por que as mineradoras podem superar o metal

O ouro superou os US$ 3 mil pela primeira vez na história, impulsionado por incertezas geopolíticas e medidas econômicas nos EUA. Em tempos de instabilidade, o metal brilha como refúgio, assim como o dólar. Mas quem perdeu essa alta ainda pode ainda ter uma oportunidade: investir em ações de mineradoras de ouro. Por quê?

Historicamente, as ações dessas companhias tendem a seguir o preço da commodity, embora com certa defasagem. Esse atraso é influenciado por fatores como custos de extração, questões regulatórias, desempenho financeiro e desafios de gestão. Após períodos de valorização do ouro, elas costumam reagir de forma mais intensa, superando os ganhos da própria commodity.

O gráfico abaixo, feito pela gestora VaEck a partir de dados compilados da Bloomberg, revela um pouco desse panorama. Os movimentos trimestrais positivos no preço do metal precioso se traduziram, em média, em desempenho superior das ações de ouro com um múltiplo de 1,96x.

Quando o ouro sobe, as ações tendem a subir mais.Fontes: Bloomberg e VanEck. Gráfico feito pelo InfoMoney

No entanto, esse cenário de alta superior só ocorre em períodos de valorização do ouro. Quando o preço do metal cai, esses papéis tendem a recuar com ainda mais intensidade. Movimentos trimestrais negativos no valor da commodity, por exemplo, resultaram em um desempenho médio 5,04 vezes pior para as ações do setor aurífero.

Quando o ouro cai, as ações tendem a perder ainda mais valor.Fontes: Bloomberg e VanEck. Gráfico feito pelo InfoMoney

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Ouro vai subir ou cair?

Diante do cenário político global a expectativa é que o ouro continue brilhando. O Morgan Stanley acredita que a commodity ainda não atingiu o pico. “A próxima etapa mais alta, no entanto, pode ser mais lenta, com os preços esperados para subir além de US$ 3.000/oz em meio à forte demanda do banco central e de investimentos”, disse a instituição em relatório. Nesta sexta-feira (28), a onça-troy é negociada a US$ 3.074.

John Plassard, analista da Mirabaud, disse para o InfoMoney que o panorama atual oferece vantagens para as companhias. “O cenário atual pode ser favorável para investir em mineradoras de ouro, dado que a demanda por ouro continua forte, impulsionada por incertezas econômicas e geopolíticas”.

Essas empresas de extração, além de se beneficiar de um aumento no preço do ouro, também têm a possibilidade de pagar dividendos aos investidores, o que pode tornar esse investimento interessante no médio e longo prazo, segundo o especialista. Três das três maiores empresas do setor (veja os nomes logo abaixo) tem dividend yield (taxa de retorno apenas com proventos) acima dos 2% no ano. Nos Estados Unidos, yield entre 2% e 6% são considerados bons.

George Cheveley, portfolio manager da empresa de investimentos Ninetyone, falou em relatório publicado no final da semana passada que, devido à melhoria do ambiente de custos e ao aumento do preço do ouro, as margens de mineração de ouro estão aumentando.

“Especificamente, menores custos de diesel devido aos menores preços do petróleo e margens de refino, juntamente com menores custos de mão de obra e manutenção, estão contribuindo para a expansão da margem”. Além disso, a atividade de fusões e aquisições também está começando a aumentar no setor de mineração de ouro, potencialmente agregando valor, falou.

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Mineradoras de destaque

Há centenas de mineradoras em todo o mundo. Três das principais, segundo Plassard, são as seguintes:

Newmont Mining (NEM): Fundada em 1921 nos Estados Unidos, é uma das maiores mineradoras de ouro do mundo, com sólida base de ativos e capacidade de manter um fluxo de caixa forte. É negociada a US$ 48,69 nesta sexta, com 12% de alta no acumulado do mês.

Barrick Gold (ABX): Outra gigante do setor, foi fundada no Canadá em 1983. Tem grande quantidade de minas em operação e um forte portfólio de ativos. Uma ação é trocada de mãos a 27 dólar canadenses (US$ 18,91) hoje. Registrou alta de 8% nos últimos 30 dias.

AngloGold Ashanti (ANG): Sul-africana, essa mineradora global opera em diversos continentes, com um portfólio diversificado de minas. Foi fundada em 2004. Entrega valorização de 20% no acumulado mensal. Uma unidade vale 68.366 ZAR, o equivalente a US$ 3,71.

Tem ETF também? Sim, o VanEck Gold Miners ETF (GDX), que investe nas principais companhias de mineração de ouro. As cinco maiores participações do veículo financeiro são Newmont (NEM), Agnico Eagle Mines (AEM), Wheaton Precious Metals (WPM), Barrick Gold (ABX) e Franco-Nevada (FNV), segundo dados atualizados em fevereiro deste ano.

O GDX subiu 32% neste ano, ante 17% do ouro. No período de um ano, enquanto o ETF subiu 52,33%, o metal avançou 40%. No longo prazo, no entanto, a história muda. Desde 2006, quando o ETF foi lançado, o avanço foi de apenas 17%. O ouro, por outro lado, disparou 399%.

Riscos das mineradoras

Assim como qualquer investimento, o setor de mineração de ouro também está sujeito a riscos. A instabilidade política em países onde as mineradoras operam pode afetar negativamente os resultados, comentou Plassard. Além disso, incertezas econômicas podem reduzir a demanda por ouro e afetar o desempenho das mineradoras. Por fim, as companhias apresentam maior volatilidade nos preços de suas ações em comparação com o preço do ouro, o que pode aumentar o risco para os investidores.

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