PÓS POEMAS: Augusto de Campos lança o último livro de poemas visuais

Poemas que querem ser quadros. Quadros que querem ser poemas. Poesia dependente da independência. Poemas que não querem ser poemas, sem saber bem o que querem. Contrapoemas. Poesia da recusa. Augusto de Campos, no prefácio de “PÓS POEMAS”, define em diferentes termos os trabalhos que reúne neste seu último livro publicado, um conjunto marcado por um vigor feroz que, mais do que uma despedida, é um convite irrecusável ao mergulho na obra do nosso maior poeta vivo. “PÓS POEMAS” é um lançamento da Perspectiva.

Poesia como intervenção na folha em branco, intervenção no texto, intervenção na língua, intervenção no mundo. Poesia que se dobra e se desdobra, que se reconfigura, que rompe com as amarras do texto, das margens, da ordem. Encontrar a ordem no caos, reordenando-o. É esse o sentimento na leitura do meticuloso trabalho de Augusto de Campos neste “PÓS POEMAS”.

De uma palavra que se metamorfoseia, letra por letra, em outra palavra. Verdade — Mentira, Forma — Poema. Augusto de Campos olha para o próprio fazer poético, pelos caminhos possíveis abertos pela poesia num mundo onde ela se transformou numa “prática de gueto”, “contra o recuo dos que só reconhecem o que conhecem”. 

Pós Poemas de Augusto de Campos. Reprodução Editora Perspectiva
Pós Poemas de Augusto de Campos. Reprodução Editora Perspectiva

Último de uma tetralogia

Com poemas que datam de 2005 a 2024, este “PÓS POEMAS” completa uma tetralogia iniciada por “Despoesia” (1994) e seguida por “Não” (2003) e “Outro” (2015). Neste último volume, o poeta olha para um mundo – e, especialmente, um país – sob a ascensão da extrema-direita. Alguns dos últimos poemas editados no livro olham para certo um Brasil armamentista que venera um suposto mito que, na verdade, é um verdadeiro zero – que, mesmo à direita, não tem valor algum.

Augusto de Campos brinca com a língua como ninguém. Não só a língua enquanto idioma, mas a nossa própria: a língua de quem o lê. Experimente em voz alta. Nossa língua percorre labirintos, faz curvas inesperadas. Assim como o olho, que mergulha em sobreposições, cores, quebras e recortes. Se perde e se encontra. Um VIVA a Augusto de Campos e sua poesia que nunca recusou o confronto e, por isso mesmo, a real transformação.

Encontre “PÓS POEMAS” aqui

Pós Poemas de Augusto de Campos. Reprodução Editora Perspectiva
Pós Poemas de Augusto de Campos. Reprodução Editora Perspectiva

Gabriel Pinheiro é jornalista e crítico de literatura. Escreve aqui no Culturadoria e também em seu Instagram: @tgpgabriel (https://www.instagram.com/tgpgabriel)

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