Depois de 7 anos, Basement Tracks lança álbum experimental ‘Midnight show’

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Capa do álbum foi feita por Rodrigo Baumgratz (Foto: Divulgação)

A Basement Tracks lança nesta quinta-feira (3) “Midnight show”, segundo álbum de estúdio da banda. Com a gravação ainda durante a pandemia de Covid-19 e a produção totalmente feita pelo grupo, o quinteto precisou enfrentar o surto epidemiológico que atingiu o Brasil, mudanças de cidade dos integrantes, perdas e o AVC de um membro da banda, que fizeram com que o trabalho precisasse ser adiado. A vida pode ter até atropelado parte do caminho de Victor Fonseca (guitarra, voz), Ruan Lustosa (guitarra), Ruy Alhadas (teclados), Rodrigo Baumgratz (baixo) e Lucas Duarte (bateria), mas com o novo trabalho, renascem. As faixas remetem ao som de estúdio dos anos 1980 e usam de synths e teclado para criarem o som, além de terem parcerias com vários artistas juiz-foranos, marcando o trabalho mais experimental do grupo até então.

A estética de “Midnight show” já começa diferente pelo processo em que o álbum foi feito, bem diferentemente de “Rave on”, primeiro disco do grupo. A decisão de os próprios integrantes fazerem a produção do álbum e optarem por uma pré-produção simplificada, com mais momentos de criação após a gravação, foi um “tiro no escuro”, como define Ruan. Mas foi também o que fez com que o álbum chegasse à sonoridade única que buscavam. “Tentamos dar uma unidade e uma cara que fosse só nossa para o disco (…) Fomos compondo e juntando nossas ideias, vendo o que ia acontecendo no processo”, conta.

Para ele, esse álbum mostra um novo lado da banda, dessa vez bem mais lunar que o trabalho anterior. “Fomos vendo que o disco era diferente do outro, mais solar, enquanto este era da noite. E fomos inserindo elementos na mixagem, usando sintetizadores, para ter essa característica da noite”, explica. O conceito dessa produção estava quase todo pronto, quando, durante um show da banda, o vocalista e guitarrista Victor teve um acidente vascular cerebral. “Já estávamos com um caminho trilhado do que iríamos fazer. Foi um estresse generalizado. Passou de tudo na nossa cabeça: ‘Ele vai sobreviver? Se ele sobreviver, como ele vai ficar? A banda vai continuar?’”, relembra Ruan. Como ele conta, o amigo chegou a ficar um mês internado na UTI e precisou mudar a rotina depois, o que fez com que eles também repensassem os próximos passos. 

Toda essa trajetória marcou a banda e fez com que a chegada do álbum, para o público, fosse um verdadeiro alívio – como ver um filho finalmente nascendo. “Acho que para a gente tudo nesse disco é uma coisa meio experimental e meio nova. Desde a produção até a mixagem, desde o jeito que a gente gravou até tudo que a gente passou”, reflete Ruan. Logo que Victor foi melhorando, ele voltou a produzir o álbum, fazendo com que eles pudessem redesenhar os passos e vivenciar esse novo momento da banda. Muito da essência do Basement Tracks foi mantido, mas com o intervalo de tempo entre os trabalhos, é impossível não notar também um amadurecimento e outros conceitos sendo inseridos pelos artistas.

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Victor Fonseca (guitarra, voz), Ruan Lustosa (guitarra), Ruy Alhadas (teclados), Rodrigo Baumgratz (baixo) e Lucas Duarte (bateria) formam o quinteto (Foto: Caio Desiderio/ Divulgação)

Parcerias e essência

A escolha por fazer músicas em língua inglesa já era algo natural para a banda que, desde 2013, busca seu lugar no cenário musical nacional e internacional. “Nossa essência é juiz-forana e mineira, mas quando paramos para tocar e gravar, não pensamos da onde a gente é, pensamos mais para onde queremos ir. Queremos expandir para o mundo e para o universo”, diz Ruan, sobre essa característica que se mantém.

As parcerias são outra marca forte de “Midnight show”. A abertura do disco, “Cold gold”, conta com a participação da artista Nina Hübscher, colega de Ruan em outra banda, nos vocais. Amélia do Carmo também faz uma participação especial no segundo single, “Dive”, e Stéphanie Fernandes em “20/20”. Isabel Oliveira, por sua vez, deixa a sua assinatura em “Honey”, um de seus últimos trabalhos na música. “A gente gosta de trazer os vocais femininos nas músicas, dá uma suavidade. Chamamos as cantoras que a gente gosta e que colaboraram muito para o resultado final”, destaca Ruan. Ele também conta que o nome do álbum, além de estar relacionado com a estética que se propuseram, também foi uma forma de fazer uma “singela homenagem” a Isabel, que faleceu no último ano.

Caminho de volta

O lançamento do álbum marca o “caminho de volta” que o Basement Tracks faz. Mas, superado todos os desafios impostos para chegarem ao resultado final das músicas, eles já ensaiam novos passos. “Quero que a gente volte a ser uma banda que faz show e que está inserida no cenário nacional. É isso que mantém a chama acesa para gente. Estamos com uma perspectiva boa em relação a isso no segundo semestre, com a melhora do Victor. Ele já está afim de novo, e isso é o principal”, diz Ruan.

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