Taxas dos DIs caem com baixa de Treasuries e commodities após retaliação da China

SÃO PAULO (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira em baixa pela segunda sessão consecutiva, em especial entre os contratos mais curtos, com a curva a termo brasileira refletindo a queda firme dos rendimentos dos Treasuries e a derrocada de commodities como o petróleo, em meio a receios de desaceleração mais acentuada da economia global.

Após os Estados Unidos imporem na quarta-feira uma série de tarifas de importação aos seus parceiros comerciais, nesta sexta a China reagiu anunciando retaliação aos produtos norte-americanos.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 — um dos mais líquidos no curto prazo — estava em 14,675%, ante o ajuste de 14,783% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 14,24%, em queda de 16 pontos-base ante o ajuste de 14,402%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,38%, em baixa de 4 pontos-base ante 14,419% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,49%, ante 14,494%.

No início do dia a China anunciou cobrança adicional sobre os produtos norte-americanos de tarifa de 34% — mesmo percentual anunciado na quarta-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para os produtos chineses. Além disso, Pequim estabeleceu controles sobre a exportação de algumas terras raras — elementos fundamentais para a indústria de tecnologia — e apresentou uma reclamação na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Assim como na quinta-feira, os receios de que a guerra tarifária possa jogar os EUA na recessão e reduzir o crescimento global fizeram os rendimentos dos Treasuries despencarem, em meio a apostas de que o Federal Reserve pode cortar juros mais vezes em 2025.

A queda dos yields foi abrandada por dados fortes de emprego divulgados pela manhã nos EUA e por comentários cautelosos do chair do Fed, Jerome Powell, sobre os efeitos da guerra comercial sobre a política monetária. Ainda assim, os rendimentos dos Treasuries seguiram em baixa.

No Brasil, as taxas dos DIs acompanharam a queda dos yields em um cenário negativo de forma geral, com recuo de mais 7% do petróleo em alguns momentos e bolsas em baixa firme ao redor do mundo. Após o forte recuo da véspera, o dólar subia mais de 3% ante o real na tarde desta sexta-feira.

“Pode ser que com o boost (impulso) do dólar, o (juro) curto tenha devolvido parte da queda”, comentou o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano. “(Mas) o efeito de commodities é mais forte”, acrescentou.

Neste cenário, a taxa do DI para 2027 marcou a mínima de 14,12% às 9h20, ainda na primeira meia hora de negócios, em baixa de 28 pontos-base ante o ajuste da véspera.

No mercado, as apostas de que a taxa básica Selic, atualmente em 14,25% ao ano, poderá encerrar o atual ciclo em até no máximo 15% aumentaram, tendo em vista os receios de desaceleração da economia global.

Na quinta-feira — atualização mais recente, mas já após o pacote de tarifas de Trump — o mercado de opções de Copom da B3 precificava 57,50% de probabilidade de alta de 50 pontos-base da Selic em maio (ante 68,50% na véspera) e 22,00% de chances de elevação de 25 pontos-base (6,00% na véspera), contra apenas 6,50% de probabilidade de alta de 75 pontos-base (19,00% na véspera).

Na prática, após as tarifas de Trump, o mercado passou a ver chances maiores de uma alta menor (de 25 ou 50 pontos-base) da Selic em maio, em detrimento das apostas em 75 pontos-base.

Para o encontro seguinte do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, em junho, as opções de Copom já precificavam na quinta-feira 36,90% de probabilidade de manutenção da Selic (23,00% na véspera).

“A reunião de junho do Copom está muito aberta”, comentou Laís Costa, analista da Empiricus Research. “Se tivermos uma percepção de desaceleração forte da economia, de fato pode não ter nada (de aumento da Selic)”, acrescentou.

Nos EUA, o Departamento do Trabalho informou pela manhã que foram abertas 228.000 vagas de emprego fora do setor agrícola no mês passado, após criação revisada para baixo de 117.000 em fevereiro. Economistas consultados pela Reuters previam 135.000 postos de trabalho.

Já o chair do Fed, Jerome Powell, disse à tarde que a instituição não tem previsão de recessão em suas perspectivas, mas reconheceu que os analistas do setor privado estão observando essa possibilidade.

Ainda assim, os yields seguiam em baixa no fim da tarde. Às 16h44 o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento — caía 5 pontos-base, a 4,009%. O retorno do título de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 4 pontos-base, a 3,687%.

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