Bitcoin e Ethereum estão ameaçados após ataque hacker bilionário?

O ataque hacker à corretora de criptomoedas Bybit abalou o setor nesta sexta-feira (21), após quase US$ 1,5 bilhão serem drenados dos cofres da plataforma – o maior valor da história já roubado em ativos digitais. O incidente levantou preocupações entre investidores sobre a segurança das criptomoedas e o possível impacto no mercado. Mas, esse receio ainda não se traduziu nos preços.

Nas últimas 24 horas, Bitcoin (BTC) caiu 3,5% e Ethereum (ETH), principal alvo do hacker, recuou 4%, números que, embora representativos, não são considerados extremos para o mercado cripto. Para efeito de comparação, o S&P 500 recua 1,7% no dia, indicando que ativos de risco, em geral, enfrentam um dia de baixa.

“Acho errado atribuir a queda de hoje ao hack. [A queda] reflete muito o cenário macro, o S&P está com uma queda forte. O dado de confiança ao consumidor [dos EUA] veio baixo, e as estimativas de inflação para 10 anos subiram. O hack até pode ter tido influência, mas é [no máximo] uma mistura das duas coisas”, explica Theodoro Fleury, gestor e diretor de investimentos da gestora QR Asset.

Para Fleury, a satisfação pública do CEO da Bybit de que a companhia tem meios de cobrir o rombo nos seus cofres ajudou a apaziguar os ânimos do mercado, principalmente porque a empresa diz ter conseguido financiamento para a operação – ou seja, não precisaria vender reservas em criptomoedas, o que pressionaria os preços.

Isso se a corretora precisar de fato ir às compras. A empresa trabalha junto com outros atores do mercado para tentar recuperar os ativos, algo que tem precedente nessa indústria. “É um caso que ajuda a mostrar para o pessoal que pensa que é fácil lavar dinheiro com cripto que não é bem assim. Os endereços [usados pelo hacker] estão todos marcados, na hora que ele tentar trocar por USDC e USDT [duas criptomoedas de dólar], a Circle e a própria Tether poderão congelá-los”, conta Fleury.

Segundo a casa de análise de criptomoedas Arkham, o ataque foi perpetrado pelo Lazarus Group, um grupo de hackers associados ao governo da Coreia do Norte.

Corretoras estão vulneráveis?

Um ataque dessa magnitude também coloca em xeque a confiança dos investidores na segurança das exchanges centralizadas e no armazenamento de criptomoedas. Companhias do setor ainda esperam mais detalhes sobre o ataque para entender possíveis reverberações, mas a impressão inicial é de que o episódio não deve causar uma percepção generalizada de maior risco por parte dos usuários.

“Desde o colapso da FTX, no final de 2022, o mercado aprendeu muito. Na época, se perguntássemos a alguém o que aconteceria com os preços dos ativos caso a FTX desaparecesse do dia para a noite, a maioria responderia que haveria uma queda muito significativa. No entanto, não foi isso que aconteceu. O mercado compreendeu a diferença entre os intermediários e os próprios ativos”, conta Fabricio Tota, diretor de novos negócios do MB

Na QR Asset, gestora de fundos regulados com exposição a criptomoedas, entre multimercados e ETFs, a tecnologia de armazenamento de ativos é superior à usada na Bybit, diz a empresa. No MB, principal exchange brasileira, Tota explica que “não há solução única ou ‘bala de prata’” para oferecer uma segurança completamente à prova de falhas. “É uma combinação de tecnologia, processos, validações externas, auditorias e compliance”.

A Bybit ainda não divulgou quais medidas tomará para reforçar a segurança após o ataque.

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