Sem provas, Bolsonaro diz novamente que o 8/1 foi “programado pela esquerda”

ex-presidente Jair Bolsonaro falando e gesticulando, sério, de camisa polo escura
O ex-presidente Jair Bolsonaro em nova entrevista- Reprodução/YouTube

Uma semana após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro reafirmou que os atos de 8 de janeiro foram “programados pela esquerda”. Durante entrevista ao jornalista Leo Dias nesta terça-feira (25), o político também defendeu os manifestantes e comentou os áudios divulgados pelo Fantástico que revelam conversas entre militares sobre a trama golpista.

Na entrevista transmitida ao vivo, o ex-mandatário voltou a alegar que a invasão da Praça dos Três Poderes teria sido orquestrada pela esquerda. Segundo ele, a ausência de imagens da entrada dos manifestantes nos prédios públicos seria uma prova dessa tese.

“8 de janeiro foi programado pela esquerda. Você tem imagens do pessoal quebrando lá dentro, mas não quando entrou a turma. Imprensa só mostrava imagem de um magrinho derrubando relógio e tentando derrubar câmera. O governo dizia que não tinha mais imagem, mas pouco tempo depois apareceram mais imagens”, declarou Bolsonaro, reforçando que estava nos Estados Unidos durante os ataques.

Ele ainda citou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria emitido 33 alertas ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) sobre possíveis atos violentos, o que, segundo ele, comprovaria a suposta programação dos ataques.

Ex-presidente defende manifestantes

Durante a entrevista, Jair Bolsonaro também defendeu os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, classificando-os como “pobres coitados” e negando que fossem terroristas ou golpistas.

“São pobres coitados. Com bíblia na mão, bandeira na mão, velhinhas. (8 de janeiro). Foi um ato de vandalismo. Vai dar golpe em um prédio? Sem nada, sem presidente, sem arma? Você acha que vai preparar um golpe com 1500 pessoas e isso não vaza? Alguém programou para dar esse clima, copiando o caso do Capitólio nos EUA”, alegou.

Bolsonaro comenta investigação e possível prisão

Ao ser questionado sobre os áudios divulgados pelo Fantástico no domingo (23), Jair Bolsonaro confirmou que foram discutidas possibilidades de decretação de estado de defesa e de estado de sítio. Segundo ele, essas hipóteses foram analisadas após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar uma multa de R$ 22 milhões ao PL por questionar o resultado das eleições de 2022.

“Então nos reunimos novamente, achamos que tinha que ter resposta melhor. Conversei com as pessoas, e (perguntei) o que a gente pode fazer dentro das quatro linhas. E daí foram estudadas hipóteses de estado de defesa e de sítio. Nós tínhamos que nos preparar, em havendo um problema no Brasil, como vamos reagir”, disse.

O ex-presidente completou: “O estado de sitio como começa? Convoca os conselho da Defesa e da República. Houve a convocação de conselho da minha parte? Não. Vamos supor que tivesse convocado, eu mandaria mensagem para o Congresso, pedindo autorização para baixar o decreto. Mas se não houve nem convocação dos conselhos, sem comentários. Houve nem tentativa, nem convocação, nada. Por que essas conversas? De hipóteses de dispositivos constitucionais. Porque nos foi negado, a gente queria discutir com TSE”.

Bolsonaro também admitiu que enfrenta o temor de ser condenado e disse que é “horrível” viver sob a iminência da prisão. Apesar disso, afirmou que pretende continuar na disputa política, mesmo estando inelegível.

Relação familiar e polêmica com filme brasileiro

Ainda durante a entrevista, Bolsonaro comentou sobre sua relação familiar e admitiu desavenças entre sua esposa, Michelle Bolsonaro, e seus filhos. Ele destacou que Carlos Bolsonaro (PL), um dos filhos mais ativos politicamente, “amadureceu muito”.

Questionado sobre o filme “Ainda Estou Aqui” e a possibilidade de o Brasil vencer o Oscar, o ex-presidente afirmou que não assistiu à produção e rebateu as críticas do diretor Walter Salles, que declarou que a obra não poderia ter sido feita durante seu governo: “Por que? Não perseguimos ninguém. Eu não persegui ninguém”.

“Não assisti. Não tenho mais tempo de ver filme”, alegou ele.

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