Adestrador alega que cadela fugiu, mas corpo é achado enterrado em hotel: “Descartada como lixo”

Francine Branchi, de 33 anos, precisou recorrer a um hotel para cachorros para deixar a golden retriever Mia, de 11 meses, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, mas não esperava um desfecho tão trágico. Segundo ela, o adestrador Sérgio Dornelas, responsável pelo local, alegou que a cadela tinha fugido e realizava buscas. Porém, desconfiada, a tutora contratou um detetive particular, que descobriu a verdade: o animal morreu e foi enterrado no terreno do estabelecimento.

Em postagem nas redes sociais, Francine lamentou a morte de Mia disse que ela foi “descartada como se fosse lixo”. Segundo ela, Sérgio confessou que Mia morreu de hipertermia e, em vez de comunicar à tutora, ele mentiu que ela tinha sumido e a enterrou no quintal (veja abaixo).

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Francine contou, em entrevista ao UOL, que conheceu o hotel para cachorros por indicação de uma amiga. Ela tinha uma viagem marcada no fim do ano passado e não poderia levar Mia, assim, combinou com o adestrador que ela ficaria no hotel por 30 dias. Um dos pontos que chamou a atenção foi o fato do local contar com piscina, uma das paixões da cachorra.

Na data marcada para a devolução, no entanto, o adestrador pediu que Mia ficasse no hotel por mais 15 dias, alegando que ela ainda precisava de mais um tempo para o devido adestramento. A tutora concordou.

No entanto, no último dia 13 de fevereiro, data em que a golden retriever deveria voltar para casa, Sérgio disse para a família que o animal tinha fugido, assim como outros cães que estavam no hotel. “Acreditei por algumas horas, mas algo não fazia sentido. Ele dizia que todo mundo estava ajudando a procurar, mas ninguém no bairro sabia dessa fuga”, relatou Francine.

As buscas por Mia chegaram a ganhar mobilizações nas redes socias, mas a tutora passou a desconfiar da postura do adestrador. “Ele me disse: ‘fica tranquila, ela não vai morrer atropelada, porque está muito esperta’. Aquilo me arrepiou. Ele falava como se não fosse um problema, como se não tivesse culpa nenhuma”, relatou ela.

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Buscas por Mia

Desconfiada, Francine decidiu contratar um detetive particular, que conseguiu imagens de câmeras de segurança da região do hotel para cachorros. Ao analisar as imagens, ele comprovou que Mia não foi vista na rua no momento em que teria ocorrido a suposta fuga.

Um ativista dos direitos dos animais também passou a ajudar a família e conversou com Sérgio, quando o homem admitiu que a cadela tinha morrido e ele a tinha enterrado no quintal do hotel. Essa conversa foi gravada e entregue à Polícia Civil.

Na última segunda-feira (24), agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) estiveram no estabelecimento, onde encontraram Mia enterrada no quintal. A comprovação de que se tratava dela ocorreu por meio de um microchip. O corpo foi recolhido e encaminhado para perícia.

Outros três cães que estavam no local, magros e com suspeita de que sofriam maus-tratos, foram resgatados.

Conforme a polícia, Sérgio vai responder por maus-tratos a animais. O homem deverá prestar depoimento nos próximos dias. A defesa do adestrador não foi encontrada para comentar o assunto até a publicação desta reportagem.

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