RD Saúde (RADL3) desacelera vendas, margens são afetadas e ação cai após 4T

A RD Saúde (RADL3) reportou resultados no quarto trimestre 4T24, abaixo das expectativas do Goldman Sachs, impactados por vendas e margens mais fracas.

O banco americano acredita que os investidores podem se decepcionar com o crescimento relativamente fraco de vendas em mesmas lojas (SSS), já que lojas maduras cresceram +5,6% na base anual, desacelerando 100 pontos-base em relação ao 3T24, apesar de uma base de comparação menos exigente. Às 13h (horário de Brasília), a ação da companhia recuava 3,10%, cotada a R$ 17,84.

Segundo o Goldman, a lucratividade foi negativamente impactada por uma margem bruta menor, o que também pode gerar preocupações entre os investidores para 2025.

Embora reconheça que algumas pressões podem diminuir este ano (crescimento elevado da 4Bio, maior carga tributária sobre vendas), o Goldman destaca que o reajuste mais fraco da CMED pode ter um impacto negativo, especialmente no 2T25. No geral, o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado ficou 8% abaixo da estimativa do banco.

O Goldman Sachs manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 29.

Os números da RD no 4T24 foram fracos em geral, na avaliação do Bradesco BBI (o Ebitda ajustado ficou 7% abaixo do esperado). As vendas ficaram 1% abaixo das estimativas, com o crescimento desacelerando 1,3 pp no varejo para 13,2%, em base anual.

Do lado positivo, a RD espera que a margem consolidada fique estável ou melhore em 2025, apesar do ajuste de preços pela CMED abaixo da inflação, devido a (i) descontos mais baixos, (ii) revisão das despesas gerais e administrativas, (iii) crescimento das vendas em lojas maduras acima da inflação e (iv) foco na margem e menor crescimento na 4Bio.Telefônica Brasil (VIVT3):Análise de Resultado (4T24).

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O JPMorgan também classificou os resultados da companhia como fracos. No lado operacional, o Ebitda ajustado cresceu 10% na base anual, chegando a R$ 678 milhões, mas ficou 7% abaixo das estimativas do JPMorgan e do consenso, devido a uma margem bruta menor do que o esperado e maiores despesas gerais e administrativas (G&A).

Ainda assim, o lucro por ação (EPS) ajustado de R$ 0,17 ficou estável em relação ao ano anterior e em linha com as estimativas do JPMorgan e as do mercado, refletindo os incentivos fiscais da Lei do Bem.

Além disso, a RD afirmou que, por meio de iniciativas de eficiência e possivelmente menores descontos, espera manter ou expandir suas margens em 2025, apesar do ambiente desafiador — com reajustes anuais de preços de medicamentos abaixo da inflação e taxas de juros/custos mais altos.

Porém, apesar da boa reputação da gestão no mercado, o JPMorgan avalia que, em um ambiente volátil e de curto prazo, o foco dos investidores deve ser a decepção com o Ebitda, especialmente porque a confirmação (ou não) de ganhos de margem Ebitda só deve ocorrer nos resultados do 3T25.

Nesse contexto, com a empresa negociando a 24 vezes e 18 vezes Preço/Lucro para 2025 e 2026, o banco acredita que as ações devem continuar sob pressão. Apesar da volatilidade de curto prazo esperada, o banco manteve recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 26 para RD Saúde.

Em linha com os outros bancos, a XP Investimentos avalia que a RD divulgou resultados fracos no quarto trimestre, uma vez que a pressão na margem bruta levou a uma diferença de 6% no Ebitda.

A XP destaca que o lucro líquido ajustado foi de R$ 381 milhões, 43% acima do esperado, devido a menores despesas financeiras e efeito positivo de crédito fiscal (R$ 77,5 milhões), enquanto queima de caixa foi de R$204 milhões, devido a resultados operacionais pressionados e ao pagamento da participação remanescente da 4Bio (R$118 milhões).

Os números gerais ficaram praticamente em linha com as projeções do Itaú BBA, mas com uma composição ligeiramente pior. O SSS de 7,9% ficou 0,8 pp abaixo da estimativa do banco, enquanto o SSS de lojas maduras, em 5,6%, indicou uma desaceleração do crescimento real em relação à inflação do setor, para 1,1 pp.

Em termos de rentabilidade, a margem bruta encolheu 40 bps na base anual, ficando 30 bps abaixo da projeção do banco, principalmente devido a um mix diferente — com o segmento de medicamentos Rx (de menor margem) ganhando força, enquanto HPC (crescendo apenas 5,6% a/a) e OTC perderam participação.

Já o lucro líquido ajustado de R$ 303 milhões superou as projeções em 11%, impulsionado inteiramente por maiores incentivos fiscais no trimestre, especialmente o benefício da Lei do Bem para inovação. “Essa surpresa positiva tende a ser recorrente e deve representar cerca de 5% do lucro líquido projetado para 2025”, destaca BBA.

O Itaú BBA reiterou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 21.

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