Folia inflacionada: veja o que subiu de preço no Carnaval 2025 – e como economizar

São Paulo (SP), 18/02/2025 - Por causa da indicação do filme "ainda estou aqui" ao Oscar, estatuetas do evento estão em alta assim como fantasias de Fernanda Torres em seus vários papeis na televisão. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Seja pela folia ou pelo descanso, sem dúvida o Carnaval é um dos feriados mais aguardados pelos brasileiros. Tanto é que, nas contas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o evento deve movimentar R$ 12 bilhões em todo o país. No entanto, o custo para curtir a festa aumentou, e a inflação do período afeta desde o transporte até a alimentação e hospedagem.

Na última quinta-feira (27), o Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV IBRE) divulgou o seu Índice Geral do Carnaval, apontando que os principais produtos e serviços consumidos para essa festividade, em âmbito nacional, tiveram retração média de 0,96% no acumulado dos últimos 12 meses, considerando todas as capitais brasileiras. Um ano antes, em 2024, a inflação da folia havia avançado 0,86%.

Ainda assim, o economista responsável pelo estudo, Matheus Dias, frisa que embora o Índice de Carnaval tenha registrado uma leve queda, ao analisar individualmente as capitais que popularmente possuem as maiores festividades para a época, essa não foi, necessariamente, a realidade. “A maioria dos itens selecionados da cesta apresentou alta, resultando em variação de preços acima da inflação.”  

A inflação no bolso do folião

O levantamento da FGV considerou 12 itens, divididos em categorias (alimentação, passagens e hospedagem, e mobilidade urbana), a fim de avaliar a evolução dos preços pelo IPC-10 (Índice de Preços ao Consumidor – 10).

Mas para ter um panorama mais amplo do custo da folia, abrangendo desde quem vai curtir os blocos e desfiles até aqueles que aproveitam o feriado para descansar, o InfoMoney ampliou essa análise (veja no gráfico a seguir), incluindo mais 8 itens e utilizando como referência o IPCA, o índice oficial da inflação brasileira.

Os cinco itens que mais subiram de preço em 2025 foram transporte por aplicativo (15,16%), hospedagem (10,05%), lanches fora de casa (8,23%), refeições em bares e restaurantes (6,13%) e cerveja (5,38%). Comparando com o ano passado, esses itens já vinham apresentando alta, mas a pressão inflacionária foi mais intensa neste Carnaval.

Maria Giulia, analista de research da Rico, frisa que o Carnaval tem pesado mais no bolso dos foliões devido a diferentes fatores. “Desde as bebidas até os serviços de turismo e estética, os custos subiram por uma combinação de fatores, com destaque para crescimento da demanda, mudanças de tributação, custos de insumos e depreciação cambial.”

Os vilões do Carnaval 2025

Ao olhar para os itens que são consumidos nessa época do ano, um dos grandes vilões deste Carnaval (e de outros) tem sido o transporte por aplicativo, que registrou alta de 15,16% somente em 2025; um ano antes o avanço já havia sido de 9,47%. 

Vale lembrar que, especificamente durante o Carnaval, a demanda por esse serviço cresce exponencialmente. Isso porque muitos foliões evitam dirigir após consumir bebidas alcoólicas, além de buscarem praticidade na locomoção. Como o número de motoristas não aumenta na mesma proporção, os preços disparam.

Mas não foi só o transporte por aplicativo que ficou mais caro: as tarifas do metrô e dos ônibus também subiram acima da inflação nos últimos 12 meses. Matheus Dias ressalta que os transportes públicos em 2024 não apresentaram reajustes significativos. “Os reajustes não aplicados em anos anteriores se concentraram em janeiro de 2025, impactando o custo”, diz o economista da FGV.

Outro fator que pesa no bolso é a alimentação, visto que a pressão inflacionária nos alimentos foi generalizada. Inclusive, isso tende a tornar a refeição fora de casa ainda mais cara, já que no preço está embutido o custo do preparo e serviço prestado. 

Junto a isso, a cerveja também ficou mais cara, com uma alta de 5,38% em 2025. “Nesse caso, houve o encarecimento dos insumos, como malte e alumínio para as latas, além da elevação dos tributos estaduais sobre bebidas alcoólicas”, explica Maria Giulia, da Rico.

O impacto do dólar no Carnaval

A alta do dólar também está refletindo nos preços da folia brasileira. A analista de research da Rico lembra que a moeda americana influencia diretamente nos custos de insumos importados. E isso acaba por impactar desde a produção de bebidas alcoólicas até acessórios de Carnaval.

Não à toa, itens como passagens aéreas, hospedagem, fantasias, maquiagens e bijuterias tiveram seus preços afetados pela valorização do dólar. Ainda assim, a especialista frisa que esse cenário não diz respeito somente ao último ano. Em 2015, a moeda americana era cotada a R$ 2,68; dez anos depois (e com uma valorização superior a 115%), a cotação pulou para próximo de R$ 5,80.  

Ela explica que os pacotes turísticos e passagens aéreas tendem a sofrer impacto de oscilações cambiais e do custo dos combustíveis. Enquanto isso, bijuterias, como colares, pulseiras e brincos, foram pressionadas pelo aumento dos custos de produção e a alta do dólar (novamente), que encarece metais e pedras sintéticas. 

“Já os artigos de maquiagem, essenciais para criar produções coloridas e criativas, tiveram aumento no custo de produção de cosméticos, incluindo pigmentos importados e embalagens.”

Folia sem pesar no bolso

Para quem quer curtir o Carnaval sem comprometer o orçamento, algumas estratégias podem ajudar a manter os gastos sob controle. Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP® e especialista em Finanças Comportamentais, alerta para os preços em eventos realizados durante o período. 

“O aumento nos preços de baladas e casas noturnas pode ser atribuído à maior demanda, pois muitos foliões buscam entretenimento. Além disso, custos operacionais, como aluguel de espaço, contratação de artistas e segurança, podem ter aumentado, refletindo-se nos preços ao consumidor.”

Considerando esse ponto de alerta e os itens inflacionados neste Carnaval, o planejado financeiro ainda reuniu dicas para quem precisa economizar, mas não quer abrir mão da folia. Veja a seguir:

  • Estabeleça um orçamento: determine um limite de gastos considerando transporte, alimentação, hospedagem e lazer;
  • Busque alternativas econômicas: hospedagens coletivas ou aluguel por temporada podem ser mais baratos que hotéis tradicionais;
  • Compre bebidas com antecedência: comprar em quantidade e dividir com amigos pode reduzir os custos. Levar um cooler pode evitar preços elevados em bares e ambulantes;
  • Aproveite eventos gratuitos: muitas cidades oferecem blocos de rua e eventos culturais sem custo;
  • Planeje o transporte: opte por transporte público ou organize caronas para evitar preços elevados de aplicativos;
  • Monitore os gastos: utilize aplicativos de controle financeiro, como Mobills e Minhas Finanças, para evitar surpresas após o feriado.

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