Conversamos com Cássio Scapin sobre a peça ‘Insignificância’

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Ator, diretor teatral e produtor, Cássio Scapin volta a Belo Horizonte no início de março, precisamente, nos dias 8 e 9, a bordo do espetáculo “Insignificância”. As sessões serão no Cine Theatro Brasil. Nesta adaptação do texto do dramaturgo e diretor de teatro, cinema e televisão britânico Terry Johnson, lançado em livro em 1983, e traduzido por Gregório Duvivier, ele divide a cena com Amanda Acosta, Marcos Veras e Norival Rizzo. A direção, por sua vez, é de Victor Garcia Peralta.

Em cena, a Nova York dos anos 1950 é palco de um encontro hipotético, em um hotel, de quatro famosas lendas: a atriz Marilyn Monroe (1926 – 1962), o cientista Albert Einstein (1879 – 1955), o jogador de beisebol Joe DiMaggio (1914 – 1999) e o senador Joseph McCarthy (1908 – 1957). Por meio dele, o texto de “Insignificância” trabalha questões como a fama – em vários desdobramentos. Portanto, desde as consequências dela, tanto na vida pessoal de renomadas celebridades, quanto as concessões necessárias para alcançá-la ou preservá-la. Do mesmo modo, a sua exploração para objetivos políticos. A política é outra temática que a dramaturgia abarca. Para saber mais sobre a montagem, a reportagem do Culturadoria conversou com Cássio Scapin. Confira, a seguir, os tópicos tratados no bate-papo!

O que te atraiu neste empreitada?

Bem, inicialmente, o convite do produtor Rodrigo Velloni, que é meu amigo e tinha esse desejo de fazer esse espetáculo, desde que esse texto foi apresentado a ele pelo próprio autor, o Terry Johnson. À época, encenávamos “Histeria” (2016), com direção do Jô Soares, que o Rodrigo também produzia. Daí, o Terry Johnson disse: ‘Olha, tem um texto ainda mais bacana que o ‘Histeria’, que é o ‘Insignificância”‘. Aí, o Rodrigo me apresentou o texto, ainda no original, em inglês. Então, dei aquela lida catando milho, já que o meu inglês não é bom. E achei o texto interessante, principalmente pela temática, pela possibilidade de falar de assuntos tão relevantes, tão sérios, de uma maneira bem humorada, e brincando com esses ícones da história. Isso me pareceu bastante desafiador, instigante.

Sob o seu ponto de vista, qual a reflexão central que a dramaturgia propõe ao espectador?

Olha, o texto abre um leque para várias questões. Eu acho que a principal – e que está se tornando cada vez mais pungente, nesse momento da história mundial – é a relação de poder, que é muito relativa, usando uma palavra do espetáculo. É muito relativa dentro das dinâmicas do mundo. Então, são quatro personagens famosíssimos que se chocam dentro deste quarto de hotel e que têm que se interrelacionar com as suas histórias, com as suas questões. Tem um fundo que hoje, mais importante que nunca, que é essa relação dos poderes paralelos que estão ligados à política. Das forças das pessoas que estão por trás dos movimentos políticos.

Então, acho que esse é o ponto central do espetáculo. O espetáculo não pretende ter nenhuma questão biográfica a respeito dos personagens. Portanto, ele ‘raspa’, ali, na Marilyn, ‘raspa’ no Einstein, ‘raspa’ no Joe DiMaggio, no senador McCarthy… Porque o foco não é biográfico. O foco é o que essas figuras representam dentro de um contexto social determinado, dentro de um momento da história específico que, por acaso, está se repetindo nesse momento atual. Então, acho que esse é o cerne da questão. O quão insignificante é a nossa ação. Na verdade, por mais importante que você seja, por mais famoso que você seja, dentro dessas relações dos grandes poderes, a sua significância pode ser bem pequena.

Entre os feedbacks que vocês já tiveram da peça algum, em especial, te marcou?

Um dos mais interessantes foi o de uma espectadora, que, ao fim, disse que estava chocada com a atualidade do texto. E que tinha tomado uma lavada, uma sacudida – depois de rir muito no curso espetáculo – em relação ao risco que a gente passa a perceber que está correndo. Ou que a gente não percebe e vai seguindo em frente, inconsciente das coisas que estão acontecendo ao nosso redor. Isso foi bem legal.

Tem um texto do Einstein para a Marilyn, que ela citou, por ter considerado relevante, que fala da relação que a gente tem de grandeza com as estrelas e com o universo. É que, além de a peça ter esse aspecto político, tem também um aspecto metafísico, quase. De entender que a gente está diluído em meio a um universo, sobre o qual não temos domínio algum. Tudo está em grande suspensão. E isso eu achei muito bacana.

Como foi o seu processo para incorporar o personagem?

Bom, eu comecei estudando bastante a vida do Einstein, a biografia dele. E Einstein, além de um grande físico, de um grande cientista, era um grande pensador. Aliás, tinha filósofos nos quais ele se apoiava para poder entender a vida, a dinâmica das coisas. Isso me levou a também estudar esses filósofos, para, daí, compreender melhor a maneira como Einstein pensava. Agora, é preciso dizer que o autor não especifica os personagens. O público identifica, a gente entende que é o Einstein, mas, na peça, ele não tem nome, é ‘o professor’. Do mesmo modo, a Marilyn é ‘a atriz’. O Joe DeMaggio, ‘o jogador’, enqaunto McCarthy, ‘o senador.

Então, eles não são identificados personalmente. Isso deu uma grande liberdade de criação. A gente partiu de uma caracterização bastante realista, mas, como o texto não era biográfico, não havia a necessidade de cumprir uma reprodução fiel da vida ou do comportamento desta pessoa. Podia dar uma pincelada. Portanto, tivemos liberdade para ‘brincar’ com essas figuras.

Serviço 

Insignificância – Uma Comédia Relativa”

Quando. Dia 8 e 9 de março, sábado, às 21h, e domingo, às 19h

Onde. Cine Theatro Brasil (Av. Amazonas, 315, Centro)

Duração: 100 minutos

Classificação etária: 16 anos

Gênero: Comédia

@insignificancia.teatro/

Ingressos: 

Plateia I – R$ 100,00 (Inteira) | R$ 50,00 (Meia Entrada)

Plateia II – R$ 80,00 (Inteira) | R$ 40,00 (Meia Entrada)

Ingressos Populares: R$ 39,60 (Inteira) | R$ 19,80 (Meia Entrada)

Vendas pelo site Eventim:

https://www.eventim.com.br/artist/cine-theatro-brasil/insignificancia-3810184/?affiliate=H3K

E na bilheteria do teatro: 

Av. Amazonas, 315, Centro – BH/MG 

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