Qual o valor dos minerais raros da Ucrânia nos quais os EUA querem meter a mão

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, submeteu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a uma situação humilhante nesta sexta-feira (28), durante um encontro na Casa Branca. Diante do vice-presidente JD Vance, Trump pressionou Zelensky a conceder aos EUA direitos sobre as vastas reservas minerais da Ucrânia — uma exigência que vem fazendo há semanas.

O esperado anúncio de um acordo sobre minerais raros e outros recursos entre os dois países foi precedido por esse momento tenso no Salão Oval, deixando claro que a Ucrânia, devastada pela guerra, está em uma posição de submissão diante da superpotência americana.

Nos bastidores, Trump vem pressionando Kiev para garantir o acesso norte-americano a elementos raros, titânio, lítio, carvão, petróleo e gás natural da Ucrânia. No entanto, especialistas alertam que a verdadeira extensão e valor dessas reservas ainda são incertos e que a extração desses minerais exigirá investimentos massivos que podem levar anos para dar resultados — muito além do mandato de Trump.

O que sabemos sobre os minerais raros da Ucrânia

Minerais raros são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para as indústrias tecnológica e militar, sendo usados na produção de mísseis, tanques, computadores, celulares e energia limpa. Atualmente, a China domina a cadeia de suprimentos desses elementos, o que preocupa os EUA.

Apesar de a Ucrânia possuir depósitos significativos, a falta de estudos geológicos atualizados impede uma avaliação precisa do potencial real dessas reservas. O próprio Trump parece superestimar os valores, afirmando recentemente à Fox News: “Eu disse a eles que quero o equivalente a 500 bilhões de dólares em minerais raros, e eles essencialmente concordaram com isso.”

Especialistas, no entanto, dizem que essa estimativa é completamente irrealista, já que o mercado global de minerais raros vale apenas cerca de 12 bilhões de dólares.

Entre os minerais estratégicos da Ucrânia estão escândio, cério, disprósio, érbio, neodímio, lantânio e ítrio. Muitos desses elementos são considerados fundamentais para a segurança nacional dos EUA, o que explica o interesse norte-americano em garantir o controle sobre essas riquezas.

Minerais estratégicos e hidrocarbonetos na mira dos EUA

Além dos minerais raros, a Ucrânia é rica em titânio, grafite, lítio e urânio, que são cruciais para sistemas de armas e tecnologia avançada. O país também possui vastas reservas de hidrocarbonetos, incluindo carvão, gás natural e petróleo.

Zelensky e Trump: humilhação do ucraniano na Casa Branca

O problema é que grande parte dessas riquezas está em territórios ocupados pela Rússia, incluindo jazidas no leste da Ucrânia e reservas de gás no Mar Negro. Estima-se que 20% dos campos de gás natural e 50% das minas de carvão do país estejam sob controle russo.

Trump, porém, parece determinado a extrair vantagens dessa situação, e há especulações de que Washington possa negociar até mesmo com Moscou para obter acesso a esses recursos em territórios ocupados.

A nova ordem mundial do poder econômico e militar

A agressiva política de Trump em relação à Ucrânia faz parte de uma nova ordem mundial, descrita pela The Economist como um sistema baseado na intimidação e na lógica da força. Essa abordagem pragmática favorece nações que possuem recursos estratégicos e são lideradas por governantes autoritários, sem amarras democráticas.

Enquanto Trump avança em sua busca por recursos naturais, o Brasil também se vê no centro desse embate geopolítico, com a crescente interferência da extrema direita americana nos ataques ao ministro do STF Alexandre de Moraes.

Assim como ocorre com a Ucrânia, onde os interesses econômicos e políticos dos EUA se sobrepõem à soberania do país, no Brasil, figuras como o blogueiro Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo, intensificam uma campanha internacional contra Moraes. O objetivo? Desacreditar instituições democráticas e enfraquecer o combate à desinformação.

Seja na exploração dos minerais ucranianos ou nos ataques às instituições brasileiras, Trump está redefinindo o equilíbrio global de poder com base em pressão econômica e acordos forçados. Trata-se de um risco real para a estabilidade mundial.

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