Filho transforma legado do fundador em um gigante da logística

Quem percorre as estradas brasileiras e observa os caminhões certamente já se deparou com veículos da Transportes Cavalinho. Atualmente, mais de mil caminhões com essa marca cruzam o país todos os dias, transportando cargas que exigem cuidados especiais, como líquidos, combustíveis, produtos químicos e gases. No total, eles percorrem mais de 70 milhões de quilômetros por ano, garantindo o abastecimento e a logística segura para algumas das maiores indústrias do país.

A Cavalinho é uma das principais transportadoras do Brasil. Com sede em Vacaria (RS), filiais em Cubatão, Paulínia e Jundiaí, em São Paulo, Duque de Caxias (RJ), Nova Lima (MG) e Camaçari (BA), além de bases de apoio em outros estados e em países do Mercosul, emprega 2.400 pessoas, incluindo 1.500 motoristas. A empresa conta com uma frota moderna, com idade média de três anos, e é referência em segurança, inovação tecnológica e compromisso com a sustentabilidade.

A transportadora nasceu do trabalho e da visão empreendedora de Ivanor Guilherme Ossani, que começou a atuar como caminhoneiro em 1958. Natural de Lagoa Vermelha, Rio Grande do Sul, ele seguiu uma trajetória comum no setor de transportes: trabalhou duro, comprou seu próprio caminhão, depois um segundo veículo para operar com motorista contratado e foi crescendo, até fundar a empresa em 1974, então com o nome de Transportes Ossani. Nos anos 1980, adotou o novo nome e, já com 15 caminhões, deixou de dirigir para focar na gestão do negócio.

No início, a empresa operava apenas com os chamados cavalos mecânicos, rebocando carretas de outras transportadoras, origem do nome Cavalinho. Paulo Ossani, filho de Ivanor e atual CEO da empresa, cresceu acompanhando o trabalho do pai. “Minha história com caminhão começa literalmente no dia em que nasci. Meu pai foi me buscar na maternidade de caminhão”, relembra. Desde pequeno, ele acompanhava o pai em viagens durante as férias escolares, observando de perto toda a operação.

Ainda nos anos 1980, a empresa tomou a decisão de se especializar no transporte de produtos químicos a granel, um segmento que exige padrões elevados de segurança e eficiência. “Identificamos que transportar produtos perigosos exigia um alto grau de responsabilidade, e esse foi o caminho que escolhemos trilhar”, conta Paulo.

Crescimento da empresa

Na década de 1990, a Cavalinho começou a oferecer o serviço completo, com cavalo e carreta, mas ainda como terceirizada. Para isso, investiu na compra de carretas específicas para cada tipo de carga transportada. Em 1999, a empresa enfrentou seu pior momento, com a morte repentina e prematura de Ivanor, vítima de um ataque cardíaco aos 61 anos.

Na época, a transportadora contava com uma frota de 120 caminhões. Com a morte do pai, Paulo reuniu as irmãs para discutir o futuro da empresa. “Nós não podíamos ter 119 caminhões. Precisávamos manter 120 ou até aumentar. Meu pai nunca admitiria ver a empresa encolher”, afirma. A filosofia de Ivanor, de nunca abrir mão do que foi conquistado, guiou os filhos na condução dos negócios. Determinados a honrar esse legado, arregaçaram as mangas e seguiram trabalhando para expandir a transportadora, garantindo sua continuidade e crescimento.

A partir dos anos 2000, a Cavalinho passou a atuar diretamente com grandes embarcadores, sem depender de intermediação de outras transportadoras. E o crescimento acelerou. “Sempre tivemos crescimento anual acima de dois dígitos”, observa o CEO. A empresa é especializada no transporte de cargas líquidas químicas, lubrificantes, combustíveis, bebidas, gases e gases do ar, atendendo grandes embarcadores em todo o Brasil e no Mercosul. Entre seus principais clientes estão gigantes da indústria química, como Solvay, Raízen, Braskem, Oxiteno, Petronas, Ipiranga, White Martins, Basf e Ultragaz, além da FEMSA (Coca-Cola).

A empresa investe em tecnologia para garantir segurança e eficiência, com uma frota equipada com telemetria avançada, câmeras de fadiga e sistemas de gestão de jornada. “Nosso centro de controle operacional monitora as viagens 24 horas por dia, garantindo que cada quilômetro seja percorrido com segurança e eficiência”, explica Paulo.

A capacitação dos motoristas também é uma prioridade. Em 2003, a empresa criou o Centronor, um centro de formação de condutores que já treinou mais de 16 mil profissionais. “Treinar motoristas não é apenas ensinar a dirigir, é educar para que tenham consciência da importância do seu papel na segurança e na eficiência do transporte”, enfatiza o CEO. Além disso, a empresa implementa protocolos rigorosos para o gerenciamento de risco e análise preditiva para otimizar as operações.

Sustentabilidade no transporte

Um dos principais destaques da empresa é a responsabilidade ambiental. O CEO da Cavalinho reconhece o impacto do transporte rodoviário nas emissões de poluentes e vê a necessidade de atuar nesse sentido. “O caminhão é um grande potencial poluente. Sabemos disso e assumimos a responsabilidade de buscar soluções para reduzir e compensar esse impacto”, afirma.

A partir de 2010, a transportadora iniciou um processo de análise sobre sua pegada de carbono, buscando compreender a quantidade de emissões lançadas na atmosfera e formas de mitigar esse impacto. O primeiro passo foi a realização de um inventário de emissões. Durante esse levantamento, foram identificadas as principais fontes poluentes, com destaque para o consumo de combustível, seguido pelo uso de insumos como óleo, graxa, pneus e lubrificantes. Com base nesses dados, a empresa começou a adotar medidas para reduzir o consumo de recursos e otimizar sua eficiência energética.

Diante da crescente preocupação global com a sustentabilidade, a Cavalinho decidiu ir além da simples redução de emissões e passou a investir em compensação ambiental. Como parte dessa estratégia, adquiriu duas Áreas de Preservação Permanente (APPS) na Amazônia, totalizando 41.500 hectares de mata nativa. Nessas regiões, além da preservação ambiental, a Cavalinho apoia uma comunidade local de aproximadamente 200 pessoas, oferecendo suporte financeiro, infraestrutura e acompanhamento de qualidade de vida.

Hoje, a empresa neutraliza 100% de suas emissões de carbono e ainda mantém uma reserva excedente de cerca de 70%, garantindo uma margem para futuras expansões e consolidando seu compromisso com um transporte mais sustentável.

A empresa também possui caminhões movidos a gás natural e biometano, menos poluentes, e adota outras medidas de conservação ambiental, como a utilização de água de reuso na limpeza de veículos. “A transição energética ainda tem desafios, mas acreditamos que será um diferencial competitivo. No futuro, o consumidor vai exigir produtos que respeitem o meio ambiente”, projeta o CEO.

O crescimento da Cavalinho sempre foi baseado em uma estratégia financeira cautelosa. Diferente de muitas transportadoras que operam com alto endividamento, a empresa optou por um modelo mais seguro. “Nossa gestão financeira é equilibrada, e isso garante nossa sustentabilidade a longo prazo”, reforça Paulo, que é cliente da XP Inc. desde o começo de 2023, e tem utilizado a plataforma de investimentos como um parceiro estratégico para gestão de caixa de curto prazo. “Nosso objetivo é manter a consistência e a qualidade em nossas operações. Foi assim que crescemos e é assim que continuaremos nossa trajetória”, conclui o CEO.

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