Dados da corrente do Brasil, Bolsonaro, discursos do Fed e mais destaques desta 4ª

O julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete acusados pela tentativa de golpe de Estado segue para o segundo dia nesta quarta-feira (26), com o Supremo Tribunal Federal (STF) votando sobre a aceitação da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão do tribunal pode levar à instauração de um processo criminal contra os envolvidos.

Simultaneamente, a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), ontem, acendeu debates entre os investidores sobre a política monetária do Brasil e deve ser assuntos nos próximos dias. O documento mantém a expectativa de uma nova alta da Selic na reunião de maio, embora o ritmo seja mais brando, refletindo a continuidade de um ciclo de aperto monetário. A ata também revelou a cautela do Banco Central em relação à desaceleração da economia, com uma possível pausa no ciclo de altas após junho.

No exterior, a agenda econômica inclui a divulgação de dados sobre bens duráveis nos Estados Unidos, além dos estoques semanais de petróleo, que podem influenciar as projeções econômicas globais. Já no Brasil, o dia traz dados sobre transações correntes e fluxo cambial, além de números do governo central relativos a fevereiro. Após o fechamento do mercado, Equatorial, Simpar, Dasa, Americanas, CVC, Allied, IMC, Tecnisa e Oi divulgam seus resultados do quarto trimestre de 2024.

O que vai mexer com o mercado nesta quarta

Agenda

Às 14h, presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, se reúne com representantes da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Em seguida, às 15h, tem encontro com o senador Rogério Carvalho (PT/SE) e sua equipe para discutir temas legislativos. Já às 16h, Galípolo recebe a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e o secretário executivo Gustavo Guimarães. Todas as reuniões acontecem no Edifício-Sede do Banco Central, em Brasília, e são fechadas à imprensa.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem reunião com Arun Majumdar, Reitor da Stanford Doerr School of Sustainability, a partir das 14h.

Nos EUA, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, e o chefe do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, participam de eventos públicos onde farão discursos.

Brasil

8h30 – Transações correntes (fevereiro)

14h30 – Fluxo cambial (semanal)

14h30 – Governo central (fevereiro)

EUA

9h30 – Bens duráveis (fevereiro)

10h30 – Estoques de petróleo (semanal)

Internacional

Lula no Japão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira, 26, que o Brasil irá assinar dez acordos de cooperação “nas mais diversas áreas” com o Japão, além de quase 80 convênios entre empresas, bancos e universidades, durante a visita de Estado ao país. Em discurso no Fórum Empresarial Brasil-Japão, em Tóquio, Lula exaltou a importância que o Japão teve para a economia brasileira no passado, mas disse que é preciso aprimorar a relação bilateral, que “não andou bem” na última década.

Gado brasileiro

O Japão enviará especialistas para avaliar o gado brasileiro, primeiro passo para abrir seu mercado à carne do Brasil. A informação foi confirmada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, após negociações em Tóquio. O governo japonês já enviou um questionário sobre a sanidade do rebanho brasileiro. A medida faz parte da estratégia para acessar um mercado dominado por EUA e Austrália. Além disso, o Japão alterou o protocolo de influenza aviária, garantindo segurança ao setor avícola brasileiro. Lula destacou que cabe ao setor privado consolidar os avanços na negociação.

Tarifas temporárias

O presidente dos EUA, Donald Trump, avalia impor tarifas em duas etapas para arrecadar receita antes da conclusão de investigações comerciais. A medida permitiria tarifas imediatas usando leis raramente invocadas, como a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. Trump prometeu anunciar novas tarifas em 2 de abril, levando países a negociarem isenções. Enquanto isso, sua equipe debate a melhor abordagem, considerando opções legais testadas. O Reino Unido e a UE já buscam concessões para evitar sanções. A política tarifária de Trump tem sido errática, com anúncios e recuos frequentes.

Acordo

Os Estados Unidos fecharam acordos na terça-feira com a Ucrânia e a Rússia para interromper seus ataques no mar e contra alvos de energia, com Washington concordando em pressionar para suspender algumas sanções contra Moscou.

Os acordos separados são os primeiros compromissos formais dos dois lados beligerantes desde a posse do presidente Donald Trump, que está pressionando pelo fim da guerra na Ucrânia e por uma rápida reaproximação com Moscou que alarmou Kiev e os países europeus.

Economia

Imposto de Renda

A proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil pode causar uma perda de arrecadação de até R$ 5 bilhões para estados e municípios, segundo a Receita Federal. Governadores e prefeitos pedem ajustes para evitar impactos nos serviços públicos, já que parte da arrecadação do IR é repassada via FPE e FPM. O secretário Robinson Barreirinhas minimiza os efeitos, afirmando que a taxação sobre alta renda pode compensar as perdas. Estados como São Paulo e Rio temem prejuízos, enquanto municípios menores podem ser beneficiados. A Confederação Nacional de Municípios estima um impacto de R$ 11,8 bilhões. O tema segue em debate no Congresso, com votação prevista até julho.

Isenção de PLR

Além de elevar a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês, a reforma do Imposto de Renda (IR) deve isentar a participação nos lucros ou resultados (PLR), defenderam representantes de centrais sindicais e de movimentos sociais. Eles se reuniram na noite de terça com os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo, no Palácio do Planalto.

Aumento

O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) decidiu aumentar o teto dos juros cobrados nos empréstimos consignados em folha para aposentados de 1,8% para 1,85% ao mês. A medida afeta empréstimos com desconto no benefício do INSS, que podem comprometer até 45% da renda mensal. Embora os bancos tenham solicitado um aumento maior, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) negou. O objetivo da alteração é equilibrar a oferta de crédito, especialmente para aqueles com maior risco financeiro.

Endividados

Um levantamento da Serasa revela que 57 milhões de brasileiros estão endividados sem saber. Desses, 19 milhões já estão negativados, mas desconhecem sua situação. A falta de monitoramento do CPF, dados desatualizados e desinformação financeira estão entre os principais motivos, segundo a especialista Aline Maciel. Para consultar pendências, é possível acessar plataformas como SPC, Serasa e Registrato, do Banco Central.

Golpes financeiros

As tentativas de golpe financeiro contra brasileiros cresceram 17% em 2024, totalizando 11,5 milhões de casos, segundo a Serasa Experian. O uso de IA tem facilitado fraudes, tornando-as mais sofisticadas e acessíveis. Cartões clonados, boletos falsos e phishing estão entre os golpes mais comuns. Pessoas acima de 50 anos são as mais afetadas, com 58% já vítimas.

Política

Julgamento de Bolsonaro

O primeiro dia do julgamento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados, envolvidos em uma suposta tentativa de golpe de Estado, terminou sem definição sobre o recebimento da denúncia. Durante a manhã, os advogados dos denunciados apresentaram suas defesas, contestando as acusações. À tarde, os ministros rejeitaram todas as preliminares levantadas pelas defesas, como questões processuais e pedidos de nulidade.

Delação validada

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu negar, por unanimidade, o pedido inicial de cancelamento da delação premiada de Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Votação

O julgamento, que decidirá se Bolsonaro e outros sete acusados serão formalmente tornados réus, continuará hoje, com os ministros votando sobre a aceitação ou não da denúncia, que pode resultar na abertura de um processo criminal. A PGR acusa Bolsonaro e aliados de organização criminosa, tentativa de golpe de Estado e outros crimes, com penas que podem superar 40 anos. Se a denúncia for aceita, os réus responderão a uma ação penal no STF.

Carla Zambelli

Após a acusação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que a deputada Carla Zambelli (PL) teria prejudicado sua eleição em 2022, ela lamentou o “julgamento das pessoas que sempre defendeu” em postagem no X. Bolsonaro citou o episódio em que Zambelli sacou uma arma e perseguiu um apoiador de Lula, afirmando que a atitude foi associada à sua defesa do porte de armas e prejudicou sua imagem. O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.

Reforma tributária

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua preocupação com a ampliação das exceções na reforma tributária aprovada no Congresso, que pode levar ao aumento da alíquota média do novo imposto que substituirá os tributos atuais. Apesar disso, ele acredita que o período de transição até 2032 permitirá uma reavaliação e possível redução dessas exceções. Haddad também aproveitou para criticar o governo anterior, de Jair Bolsonaro, destacando a redução de impostos em itens como jet skis e acusando a oposição de prejudicar a reforma tributária. Ele afirmou que o trabalho para concluir a transição será longo e que a luta ainda não acabou.

Repensar emendas

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, defendeu uma rediscussão sobre o montante gasto em emendas parlamentares no orçamento federal e destacou que o Congresso tem um papel importante na redução dos gastos tributários. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministra, Tebet afirmou que a pauta de redução das renúncias tributárias enfrenta resistência no Legislativo. Ela também mencionou que o pacote de ajuste fiscal enviado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi flexibilizado pelos parlamentares, dificultando sua aprovação.

Corporativo

JBS (JBSS3)

A JBS, maior produtora de carnes do mundo, reportou nesta terça-feira lucro de R$ 2,4 bilhões no quarto trimestre, versus apenas R$82,6 milhões um ano antes, com uma melhora operacional em diversas divisões da companhia que permitiu, inclusive, a redução do seu endividamento.

No ano completo de 2024, os resultados líquidos alcançaram R$ 9,6 bilhões, em recuperação após prejuízos de cerca de R$1 bilhão do período anterior, quando a empresa lidou com o excesso global de aves e custos de produção elevados pelos preços dos grãos, entre outros fatores.

(Com Reuters e Estadão)

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