Sakamoto: réu Bolsonaro surta diante de jornalistas ao perceber que a prisão é real

Jair Bolsonaro falando em coletiva
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – Reprodução/CNN

Para quem estava com saudade daqueles momentos em que o então presidente falava um monte de sandices e mentiras para seus seguidores no cercadinho do Palácio do Alvorada, Jair Bolsonaro deu uma palhinha do passado em discurso a jornalistas feito logo após o STF torná-lo réu, de forma unânime, ao lado de sete cúmplices, por tentativa de golpe de Estado.

Em um primeiro momento, ele seguiu o roteiro preparado pelos advogados. Depois, mandou a estratégia jurídica às favas e resolveu esticar a corda política e ir para a porrada retórica. Refugiou-se, dessa forma, em seu rebanho de seguidores e aliados, acreditando que será protegido por eles nas ruas, nas redes e no Congresso através do projeto de lei da anistia.

E livre do personagem que foi obrigado a encenar nos últimos tempos na esperança de, sei lá, quem sabe, se ver livre do processo judicial ou vender no exterior a imagem de vítima, Jair Messias encarnou Bolsonaro.

Talvez tenha lhe ocorrido, naquele momento, o que qualquer analista político já saiba: sua condenação é quase certa. Não porque não será um julgamento de cartas marcadas, mas por ser um julgamento com excesso de provas.

Foi uma metralhadora de fakes. Ele falou com um cinismo atroz da sua inelegibilidade sentenciada pelo TSE e disse que não fez nada demais ao convocar embaixadores estrangeiros para atacar o sistema brasileiro de votação; defendeu que discutir golpe de estado com militares não é crime porque teria ficado no campo da hipótese; falou sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, tentando usar de forma confusa a esfarrapada narrativa bolsonarista de que faltam vídeos das câmeras do Palácio do Planalto daquele dia.

Atacou a inteligência alheia ao tentar vender o álibi de que estava nos Estados Unidos e, portanto, não teria como ter relação com o 8 de janeiro; ressuscitou a denúncia de fraudes nas eleições com base em vozes da cabeça dele e atacou a urna eletrônica, ironicamente, um dia depois de Donald Trump ter assinado um decreto em que elogia a urna brasileira; disse que a Justiça jogou contra ele ao fazer uma campanha para que jovens votassem em Lula.

Também fez a conhecida autopromoção de seu governo; comparou o Brasil à Venezuela, ignorando que é rica a comparação entre seu comportamento e o de Nicolás Maduro; e, básico, atacou a imprensa. Isso não esgota o discurso, é apenas um aperitivo. Mas imagine isso dito com um tom de emoção acima do normal e com partes sem sentido.

Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado era algo esperado, mas a contundência do STF deve ter assustado o ex-presidente. Assustado, ele voltou às raízes.

A partir de agora, ele se debruça sobre duas perguntas: 1) ele topa ser preso em caso de provável condenação ou fugirá para o exterior? e 2) vale mais empurrar uma candidatura fictícia e, no final, colocar seus filhos Eduardo ou Flávio para concorrer ao Palácio do Planalto ou abençoar um aliado mais competitivo que pode, se eleito, lutar por seu perdão, mas transferir de vez a sua liderança?

Ressalte-se que parte da direita e do centrão querem que o réu abençoe já outro nome para 2026 a fim de evitar derrota a Lula. Com base nesse Bolsonaro que vimos, ele não vai querer.

Publicado originalmente em UOL

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