Investigação PF revela esquema bilionário de lavagem de dinheiro entre PCC e máfia italiana Investigação aponta rede criminosa que movimentou bilhões e utilizou empresas de fachada para ocultar recursos ilícitos

A Polícia Federal revelou um complexo esquema de lavagem de dinheiro que conecta o Primeiro Comando da Capital (PCC) à ‘Ndrangheta, uma das maiores organizações mafiosas da Itália. A operação resultou na prisão de dois suspeitos em São Paulo, incluindo o doleiro Thareck Mourad, apontado como elo entre os grupos criminosos.

As investigações, conduzidas em cooperação com autoridades italianas, identificaram uma rede de empresas de fachada que movimentou bilhões de reais para ocultar os lucros do tráfico internacional de drogas. A análise da quebra de sigilos bancário e fiscal revelou como os criminosos usavam transações financeiras paralelas para evitar o rastreamento.

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O esquema de lavagem de dinheiro

William Barile Agati e Thareck Mourad | Foto: reprodução/Jornal Nacional

De acordo com a Polícia Federal, Mourad utilizava um prédio comercial em São Paulo e um escritório em Roma para movimentar grandes quantias de dinheiro vivo, originadas do tráfico internacional de drogas. O delegado Eduardo Verza explicou que o esquema utilizava o sistema conhecido como “dólar cabo”, no qual o dinheiro não atravessa fisicamente as fronteiras, sendo compensado por transações em países diferentes.

Outro envolvido no esquema é William Barile Agati, acusado de ser um operador financeiro do PCC. Ele já havia sido preso em janeiro e aparece ao lado de Mourad em uma foto tirada em Dubai. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Agati e Mourad, junto com outras doze pessoas, são acusados de tráfico internacional, associação para o tráfico e organização criminosa.

Envio de drogas e comunicação secreta

Do Brasil, os grupos criminosos levavam os carregamentos até a Europa | Foto: reprodução/Jornal Nacional

As investigações apontam que a cocaína comercializada pelo grupo criminoso vinha da Colômbia, Bolívia e Peru, ingressando no Brasil pelas fronteiras com Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Os carregamentos eram enviados para a Europa, especialmente para Espanha e Bélgica, utilizando portos brasileiros e aeronaves.

A polícia também prendeu Marlon dos Santos, suspeito de auxiliar no envio de drogas pelos portos de Paranaguá e Santos. Os investigadores descobriram que o grupo criminoso se comunicava por meio de um aplicativo que não exigia cadastro de nome real, utilizando apelidos para dificultar a identificação.

Em uma das mensagens interceptadas, os criminosos discutem dificuldades para decolar um avião com uma tonelada de cocaína escondida em compartimentos ocultos no piso e nos bancos.

Empresas de fachada e ocultação de recursos

Além do tráfico de drogas, a organização criminosa operava um elaborado esquema de lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, Agati possuía participação em pelo menos oito empresas de diferentes setores. Uma dessas empresas, avaliada em R$ 3,5 milhões, foi usada para construir um prédio em Santo André (SP), embora a edificação já estivesse pronta há nove anos.

A procuradora da República Hayssa Kyrie Medeiros Jardim destacou que essas organizações criminosas vêm desenvolvendo métodos cada vez mais sofisticados para ocultar seus lucros ilícitos. “Eles misturam recursos do tráfico com atividades empresariais legítimas, tornando mais difícil rastrear a origem do dinheiro sujo”, afirmou.

Defesa dos acusados

A defesa de Thareck Mourad informou que ele já havia sido solto por meio de habeas corpus e classificou a nova prisão como arbitrária. Já os advogados de William Barile Agati afirmam que ele é inocente e que isso será provado ao longo do processo. O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de Marlon dos Santos.

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