Trump anuncia tarifas, emprego nos EUA, indústria no Brasil e mais destaques desta 4ª

O anúncio iminente das tarifas recíprocas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para as 17h (de Brasília) desta quarta-feira (2), gera tensões comerciais que têm perturbado os mercados globais. A medida, que tem o foco em aumentar as tarifas de importação como resposta a políticas de outros países, provocou uma desvalorização do dólar e gerou um movimento de fuga de investidores dos EUA.

Esse “tarifaço”, segundo especialistas, tem incentivado um apetite comprador nas Bolsas ao redor do mundo, com muitos investidores em busca de alternativas mais atrativas fora do território norte-americano. A expectativa de que essa decisão amplifique as tensões comerciais tem piorado o sentimento entre investidores, com muitos apostando na volatilidade do mercado.

No Brasil, o dia começa com uma agenda econômica de peso. A Fipe divulga o IPC de março, às 5h, e, em seguida, a produção industrial de fevereiro, importante para mensurar a atividade econômica. Às 8h30, são esperados os dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito de fevereiro, fundamentais para entender o comportamento do crédito no país. Nos EUA, o mercado estará atento ao Índice ADP de Variação de Empregos Privados, que sairá às 09h15, enquanto o relatório de encomendas à indústria será divulgado às 11h, seguido pelo relatório semanal de estoques de petróleo, às 11h30, que poderá influenciar as expectativas para o setor energético.

O que vai mexer com o mercado nesta quarta

Agenda

O presidente do Banco Central, Gabriel Muricca Galípolo, participa ao longo do dia de compromissos institucionais. Das 09h às 18h, ele estará presente no evento em comemoração aos 60 anos da autarquia, realizado no Edifício-Sede do BC, em Brasília, com transmissão pelo canal oficial da instituição no YouTube. À noite, das 21h45 às 22h45, ele participa de uma reunião por videoconferência com representantes do Banco Popular da China. Esse último compromisso será fechado à imprensa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia sua agenda às 9h com uma reunião com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, no Palácio do Planalto. Em seguida, às 10h, recebe o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, no mesmo local. À tarde, às 14h30, participa da cerimônia de comemoração dos 60 anos do Banco Central do Brasil. Mais tarde, às 16h, tem encontro com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Brasil

8h30 – Estatísticas Monetárias e de Crédito (fevereiro)

9h – Produção Industrial (fevereiro)

Estados Unidos

8h – Índice do Mercado Hipotecário (semanal)

09h15 – Índice ADP de Variação de Empregos Privados (março)

11h – Encomendas à Indústria (fevereiro)

11h30 – Relatório de Estoques de Petróleo da EIA (semanal)

Internacional

Imediatamente

A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que as tarifas a serem divulgadas por Donald Trump nesta quarta-feira (2) terão efeito imediato. Ela não detalhou as sobretaxas, mas confirmou que o anúncio ocorrerá às 16h, em Washington (17h em Brasília). Trump afirmou que as tarifas serão recíprocas e chamou o 2 de abril de “dia da libertação”. Fontes indicam que o Brasil pode ser alvo das tarifas, com a possibilidade de aplicação uniforme para todos os bens.

Petróleo russo

O Brasil importou US$ 5,4 bilhões de diesel russo em 2024, um recorde histórico, o que pode ser alvo de retaliações de Donald Trump, que ameaçou punir quem adquirir petróleo russo. Desde 2022, as compras de diesel russo aumentaram devido a sanções internacionais, com um crescimento de 47 vezes em 2023 e 19% em 2024. Trump afirmou que, caso o Brasil continue comprando petróleo russo, poderá ser impedido de fazer negócios com os EUA, uma ameaça que coloca o Brasil em uma situação delicada devido à sua relação com as duas potências.

Tarifas do Brasil

O escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos divulgou um relatório criticando as tarifas impostas pelo Brasil a produtos audiovisuais americanos, como filmes e programas de TV. O documento destaca um imposto de 25% sobre as bilheteiras de filmes americanos e sobre serviços audiovisuais estrangeiros. Além disso, o Brasil exige que produtores estrangeiros invistam 70% do valor do imposto em produções locais, e a programação de TV aberta deve ser 80% nacional. O relatório também aponta que o Brasil aplica tarifas relativamente altas, com uma média de 11,2% em 2023 sobre produtos americanos. O documento foi divulgado dois dias antes do anúncio das “tarifas recíprocas” de Donald Trump.

Economia

Agro

Em 2024, as recuperações judiciais no agronegócio brasileiro bateram recorde, com um crescimento de 138%, totalizando 1.272 pedidos, segundo a Serasa Experian. O aumento foi impulsionado principalmente por produtores rurais pessoa física, que viram um crescimento de 350% nas solicitações. Fatores como a alta da taxa de juros, o aumento dos custos de produção e as adversidades climáticas, além de uma quebra histórica na safra de grãos, impactaram a saúde financeira do setor. O Banco do Brasil também apontou a “advocacia predatória”, com produtores pedindo recuperação judicial antes de negociar com bancos.

Autoridade monetária

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou que a economia brasileira enfrenta subsídios cruzados, perversos e regressivos, um dos principais desafios da autoridade monetária. Ele também ressaltou a necessidade de diálogo com o público, além dos agentes financeiros, sobre temas como estabilidade e regulação. Por fim, afirmou que é legítimo que figuras públicas comentem sobre a política de juros, enfatizando o papel democrático dessas opiniões.

Pix no cartão

A indústria de cartões está trabalhando para incorporar o Pix ao plástico já utilizado para débito e crédito, criando um terceiro meio de pagamento. A medida visa facilitar o uso do Pix por aproximação, com transações em tempo real, enquanto o débito leva de um a dois dias para ser processado. A implementação depende da autorização do Banco Central, que está em discussões com a indústria há mais de um ano. A funcionalidade pode aumentar a segurança das transações, permitindo a identificação de fraudes, similar ao que ocorre com o débito e crédito. No entanto, a questão de taxas e remuneração pela nova solução ainda precisa ser debatida.

Imposto de Renda

A Receita Federal liberou a integralidade da declaração pré-preenchida do Imposto de Renda 2025, após um atraso devido a questões técnicas e operacionais. A pré-preenchida já estava disponível desde 17 de março, e agora inclui informações adicionais, como contribuições para previdência privada, saldos bancários, imóveis adquiridos e dados sobre criptoativos. O Fisco espera receber 46,2 milhões de declarações até o fim de maio, com 41,5% delas enviadas por meio da declaração pré-preenchida em 2024.

Peso no bolso

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (1º), revela que 75% dos brasileiros sentem que seus rendimentos não acompanham o aumento dos preços, enquanto 25% acreditam que sim. O levantamento, feito com 4.659 brasileiros entre 20 e 24 de março, também aponta as causas do aumento dos preços. A principal razão, segundo 56,9% dos entrevistados, é a “política econômica falha do governo”, seguida por “especulação de empresas e varejistas” (26,4%). Quando questionados sobre as ações do governo para conter a inflação, 62,5% acham que ele deveria fazer mais, enquanto 35,9% acreditam que está agindo corretamente.

Política

Reciprocidade

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou o Projeto de Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil aplicar sanções comerciais a países que não tratem o comércio brasileiro de forma justa. A proposta, que responde ao “tarifaço” dos EUA e às possíveis restrições da União Europeia, segue para a Câmara dos Deputados. O texto, agora com foco em defesa comercial, autoriza a Camex a adotar medidas contra barreiras discriminatórias. O governo brasileiro vê a reciprocidade tarifária como essencial para proteger suas exportações e competitividade, especialmente diante das tarifas anunciadas pelos EUA.

Reciprocidade 2

A senadora Tereza Cristina (PP), relatora do Projeto de Lei da Reciprocidade, detalhou os principais pontos da proposta, que quer estabelecer tarifas comerciais justas e proteger o Brasil de medidas desproporcionais em negociações internacionais. Segundo Cristina, o projeto, que segue agora para a Câmara dos Deputados, permitirá ao Brasil negociar com maior poder de barganha, decidindo as tarifas aceitáveis para diferentes produtos. A lei não se limita aos EUA, abrangendo também empecilhos com a União Europeia, especialmente no setor agrícola. A senadora enfatizou a flexibilidade do PL e a possibilidade de escalonamento das medidas caso as negociações iniciais não sejam bem-sucedidas.

Preocupado

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou preocupação sobre a ampliação de tarifas de importação pelos Estados Unidos, prevista para esta semana, e afirmou que seria “estranho” se isso envolvesse uma “retaliação injustificável” ao Brasil. Em entrevista em Paris, Haddad disse que as trocas comerciais entre os dois países são superavitárias para os EUA, e o Brasil sempre esteve aberto ao diálogo para fortalecer a cooperação. Ele alertou que políticas protecionistas adotadas pelos EUA podem prejudicar a prosperidade global, com risco de desaceleração do crescimento e da produtividade.

Articulação política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunirá com líderes do Senado e da Câmara dos Deputados nesta semana, com encontros agendados para quarta-feira (2) e quinta-feira (3), respectivamente. O objetivo é fortalecer a articulação política após estreitar laços com lideranças partidárias durante sua viagem à Ásia. A ministra Gleisi Hoffmann também participará dos encontros. As reuniões informais visam criar um diálogo aberto, especialmente com o Centrão, para aprovar projetos, como o que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$5 mil.

Motta e a anistia

Após aliados de Bolsonaro pressionarem o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para acelerar a votação do projeto de anistia aos condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, Motta afirmou que discutirá o tema com outros líderes, mas não deu prazo para a decisão. O PL mantém a obstrução até que o assunto seja definido. Líderes ligados a Motta consideram o projeto um “abacaxi” e não acreditam que ele será pautado em breve. Deputados do PL afirmam que a proposta tem apoio suficiente para aprovação. O projeto está parado desde a criação de uma comissão especial no ano passado.

Votação da anistia

O projeto que concede anistia aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 (PL 2858/22) divide os principais partidos do governo e da oposição na Câmara. Enquanto a oposição promete obstruir a pauta até o texto entrar na agenda de votações, o governo quer priorizar o projeto de reciprocidade, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a votação da PEC da Segurança Pública.

OAB sob pressão

As defesas dos acusados pela tentativa de golpe de Estado pressionam a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a agir contra supostas violações das prerrogativas profissionais, principalmente no STF. Os advogados apontam falhas no acesso aos processos, como no caso da delação de Mauro Cid e no volume de documentos desorganizados apresentados pela PGR. O incidente com o desembargador Sebastião Coelho, detido por desacato ao STF, gerou ainda mais críticas.

Celulares roubados

A Comissão de Segurança Pública do Senado analisa nesta quarta-feira (1º) um projeto de lei que propõe aumentar as penas para crimes de furto, roubo e receptação, com foco específico em celulares roubados. O projeto quer antecipar um pacote de segurança do governo federal, que também prepara um projeto sobre receptação de celulares. A proposta aumenta a pena mínima para receptação qualificada de três para quatro anos e propõe penas mais severas para roubo simples e qualificado.

Suspensão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a suspensão dos repasses de emendas parlamentares a instituições de ensino superior e fundações de apoio em oito estados: Acre, Alagoas, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rondônia e Sergipe. A decisão afeta as “emendas Pix”, onde os recursos são transferidos diretamente para órgãos locais, sem intermediação de ministérios. Segundo Dino, as universidades estaduais desses estados descumpriram uma decisão anterior do STF que exigia regras mínimas de transparência na execução dos recursos.

É do Brasil

O Brasil derrotou os EUA e assumiu, na terça-feira (1º), a presidência do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), o órgão político mais importante da instituição após a Assembleia Geral. A presidência brasileira focará no fortalecimento do multilateralismo e do direito internacional, buscando aumentar a transparência e segurança jurídica nas negociações da OEA. Entre as prioridades, está a promoção de um novo impulso político contra o racismo e discriminação, com a proposta de uma declaração interamericana dos direitos das pessoas afrodescendentes.

Corporativo

Banco Master

Com pedido de compra pelo Banco de Brasília (BRB) e pelo BTG Pactual, o Banco Master lucrou R$ 1 bilhão no ano passado, quase o dobro dos ganhos de R$ 523 milhões registrados em 2023. A instituição divulgou na última terça-feira (1º) o balanço de 2024.

Segundo os números, os resultados operacionais e as capitalizações sucessivas fizeram o patrimônio líquido da instituição financeira saltar de R$ 2,3 bilhões em 2023 para R$ 4,7 bilhões em 2024. O patrimônio líquido representa tudo o que sobra de uma empresa após quitar os passivos.

Petrobras (PETR4)

A Petrobras vai se reunir com a categoria dos petroleiros nesta quarta-feira, 2, para discutir, entre outros temas, as regras de teletrabalho e bônus, informou a Federação única dos Petroleiros (FUP).

A convocação da reunião, por parte da companhia, vem após uma paralisação dos trabalhadores no último dia 26 de março, que a FUP define como “greve de advertência de 24 horas”.

(Com Reuters e Estadão)

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