O erro da Grande Depressão que Trump vai repetir com tarifaço

Donald Trump, presidente dos EUA – Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciará nesta quarta-feira (2) uma nova rodada de tarifas comerciais. O dia vem sendo chamado por ele de “Dia da Libertação”. A medida lembra a política adotada em 1930 com a tarifa Smoot-Hawley, que agravou a Grande Depressão enfrentada pelos EUA.

Desta vez, o impacto pode ser ainda maior, já que as novas taxas devem atingir uma parcela mais ampla do comércio global, colocando em risco a estabilidade econômica construída pelos próprios Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial.

Erro histórico

O Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), criado em 1947, foi um marco desse esforço. Ele serviu como base para a atual Organização Mundial do Comércio (OMC) e buscou evitar justamente o tipo de protecionismo que agora volta à pauta.

A história da tarifa Smoot-Hawley, citada por analistas como um alerta, mostra os riscos desse caminho. Aprovada pelo Congresso americano em 1930, ela elevou de forma drástica as tarifas de importação e provocou reações de outros países. O comércio global entrou em colapso, e a crise econômica se aprofundou. Agora, especialistas temem que Trump esteja repetindo os mesmos erros.

“Corrigir injustiças”

O chefe de Estado americano afirma que o país foi explorado por décadas e que as tarifas vão “corrigir injustiças”. A proposta é aplicar tributos equivalentes aos que produtos americanos enfrentam em outros países. Especialistas alertam, no entanto, que o aumento das tarifas pode provocar alta nos preços, queda na produção e retração do consumo, como já ocorreu em outras épocas.

A nova ofensiva tarifária gerou preocupação em mercados e governos. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, pediu que líderes da União Europeia se preparem para uma crise comercial. No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney declarou que o antigo modelo de cooperação com os EUA está “acabado”, e países asiáticos também começaram a se posicionar diante do risco de recessão global.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde – Foto: Reprodução

Setores seguem divididos

O setor empresarial dos Estados Unidos está dividido. Enquanto siderúrgicas apoiam as tarifas, alegando concorrência desleal, empresas como a Tesla alertam para a alta nos custos e possíveis impactos negativos na produção. A Câmara de Comércio americana afirmou que os pequenos negócios devem ser os mais prejudicados.

Economistas calculam que o plano pode reduzir o PIB dos EUA em até 4% e elevar a inflação em 2,5% nos próximos anos. Isso representaria uma perda superior a US$ 1 trilhão na economia americana. Há ainda receio de que outros países adotem medidas retaliatórias.

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