China restringe empresas de investir nos EUA enquanto tensões aumentam

A China adotou medidas para restringir empresas locais de realizarem investimentos nos Estados Unidos, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto. A iniciativa pode fortalecer a posição de Pequim em futuras negociações comerciais com o governo Trump.

Nas últimas semanas, diversos departamentos da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), principal agência de planejamento econômico da China, receberam instruções para suspender o registro e a aprovação de empresas interessadas em investir nos EUA, segundo as fontes, que pediram anonimato devido à sensibilidade do tema.

Embora a China já tenha imposto restrições a investimentos no exterior por motivos de segurança nacional e controle de saída de capital, as novas medidas refletem as crescentes tensões entre as duas maiores economias do mundo, em meio à escalada de tarifas promovida por Donald Trump. Em 2023, os investimentos chineses nos EUA somaram US$ 6,9 bilhões, conforme os dados mais recentes disponíveis.

As fontes indicaram que compromissos já existentes de empresas chinesas nos EUA e em outros países, bem como as aquisições e participações da China em produtos financeiros, incluindo títulos do Tesouro americano, não devem ser impactados. No entanto, ainda não está claro o que levou a NDRC a suspender o processamento de novas solicitações ou por quanto tempo essa suspensão permanecerá em vigor.

Nem a NDRC nem o Ministério do Comércio, ambos responsáveis pelas aprovações iniciais de investimentos estrangeiros, responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Na próxima quarta-feira, Trump deve anunciar planos para implementar tarifas “recíprocas” sobre parceiros comerciais dos EUA, com a China provavelmente incluída. Em fevereiro, um memorando do presidente americano instruiu um comitê governamental a restringir os investimentos chineses em setores estratégicos dos EUA, como tecnologia e energia.

A China já vinha intensificando o controle sobre os investimentos externos de empresas domésticas, após saídas recordes de capital pressionarem o yuan, conforme relatado pela Bloomberg News no início deste ano.

Embora a nova restrição se concentre principalmente em investimentos corporativos nos EUA, a medida aumenta a incerteza para empresas que buscam transferir sua produção para o exterior, como forma de contornar barreiras comerciais e lidar com o crescente impasse global.

Um exemplo das dificuldades enfrentadas por empresas nesse contexto é a CK Hutchison Holdings Ltd. O conglomerado, com sede em Hong Kong, concordou no mês passado em vender 43 portos, incluindo dois no Panamá, para um consórcio liderado pela BlackRock Inc., por US$ 19 bilhões. O acordo gerou críticas da China, que orientou empresas estatais a suspenderem novas colaborações com negócios ligados a Li Ka-shing e sua família, segundo a Bloomberg News.

Dados recentes do Ministério do Comércio da China mostram que os investimentos chineses nos EUA caíram 5,2% em 2023, apesar de um aumento de 8,7% nos investimentos para outros países. No final de 2023, o estoque acumulado de investimentos da China nos EUA representava apenas 2,8% do total.

Empresas chinesas que planejam projetos de investimento no exterior devem seguir procedimentos de registro e aprovação que geralmente envolvem o Ministério do Comércio, a NDRC e a Administração Estatal de Câmbio.

© 2025 Bloomberg L.P.

The post China restringe empresas de investir nos EUA enquanto tensões aumentam appeared first on InfoMoney.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.