A nova postura de Bolsonaro diante do risco de ser preso por tentativa de golpe

Jair Bolsonaro, réu no STF por tentativa de golpe de Estado. Foto: Reprodução

Em conversas reservadas, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem demonstrado uma mudança significativa em sua postura sobre o risco de ser preso em caso de condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito sobre tentativa de golpe de Estado. Segundo Bela Megale, do Globo, se antes manifestava temor e até cogitava fugir do país, agora afirma a aliados: “Estou muito tranquilo, mais tranquilo do que vocês imaginam”.

A mudança no tom ocorre gradualmente desde a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e as articulações de seu filho Eduardo Bolsonaro, que pediu licença do cargo de deputado federal para fugir do Brasil, segundo pessoas próximas ao ex-presidente.

Em entrevista ao canal AuriVerde, no entanto, Bolsonaro admitiu que enxerga possibilidade real de ser preso, classificando o cenário atual como de “completa insegurança jurídica”.

O ex-presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Foto: Antonio Augusto/Secom/TSE

A declaração foi dada após o ministro Alexandre de Moraes encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de prisão preventiva do ex-presidente para análise, medida considerada de praxe e com poucas chances de ser aceita.

Aliados de Bolsonaro revelam que ele deposita esperanças na pressão política dos EUA como forma de evitar uma condenação. O ex-presidente e seu círculo mais próximo acreditam que a influência do governo Trump e de congressistas estadunidenses sobre o Judiciário brasileiro poderia alterar o curso do processo, cuja condenação é considerada quase certa.

A estratégia ganhou força após Eduardo Bolsonaro fugir para os EUA com o objetivo declarado de mobilizar apoio internacional. O deputado licenciado já admitiu publicamente que pretende solicitar asilo político no país.

Na semana passada, durante o julgamento sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, fez um alerta interpretado como resposta às articulações bolsonaristas no exterior, afirmando que o STF não vai se intimidar diante de “milícias nacionais e estrangeiras”.

A declaração foi vista pelo entorno de Bolsonaro como um recado direto a Eduardo e a seus esforços de pressionar o STF por meio de aliados internacionais.

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