Quem é a prefeita bolsonarista que está expulsando sem-tetos de Balneário Camboriú (SC)

Juliana, prefeita de BC, e seu pai Leonel Pavan, ex-prefeito. Foto: reprodução

A prefeita de Balneário Camboriú (SC), Juliana Pavan (PSD), viralizou nas redes sociais após divulgar um vídeo em que afirma que a cidade não aceitará a permanência de moradores de rua nas vias públicas. A gestora bolsonarista declarou que há oportunidades de emprego, abrigo e assistência disponíveis, mas pessoas “à toa” nas ruas não serão toleradas.

A ação mencionada por Pavan envolve abordagens diretas a moradores de rua, com oferta de “acolhimento temporário” desde que aceitem deixar a cidade. A operação conta com a participação da Guarda Municipal, Secretaria de Assistência Social, Polícia Militar e Conselho Tutelar.

Em um dos vídeos, a prefeita aparece conversando com um homem de Rondônia, oferecendo ajuda sob a condição de que ele retorne ao seu estado de origem.

“Na rua aqui em Balneário Camboriú a gente não vai aceitar ninguém, se quer tá na rua em Balneário ou vai trabalhar ou vai procurar ajuda”, diz a bolsonarista durante uma abordagem. Ela, no entanto, não explica quais serão as medidas contra as pessoas que recusarem a suposta ajuda.

A postura da prefeita foi amplamente criticada nas redes sociais, com acusações de promover “higienismo social”. Especialistas em direitos humanos apontam que medidas como essas violam princípios básicos de dignidade e liberdade de ir e vir.

O Ministério Público de Santa Catarina decidiu acompanhar o caso e solicitou uma audiência de conciliação para discutir o cumprimento de decisões judiciais que proíbem a remoção forçada de pessoas em situação de rua. O promotor Álvaro Pereira Oliveira Melo classificou o vídeo como “policialesco e sensacionalista”.

Diante das críticas, Pavan manteve sua posição, afirmando que não pode “fechar os olhos, tapar os ouvidos e cruzar os braços” diante do problema. Ela garantiu que as abordagens continuarão de forma permanente, reiterando que a cidade oferece alternativas para quem precisa de ajuda.

Rudis Cabral, ex-vice-prefeito de BC, Júnior Pavan, irmão da prefeita, Eduardo Bolsonaro e Juliana Pavan. Foto: reprodução

Juliana Pavan, de 41 anos, foi eleita prefeita de Balneário Camboriú em 2024, assumindo o cargo em 2025. Filha do ex-governador catarinense Leonel Pavan, ela é formada em administração e foi vereadora antes de assumir o executivo municipal. À Justiça Eleitoral, declarou patrimônio de R$ 179.665,97, incluindo bens como veículo e investimentos financeiros.

As críticas à bolsonarista também fazem referência aos supostos interesses escusos. Além da varredura em locais precários, como viadutos e pontes, as ações da prefeitura miram os entornos de shoppings e imóveis de luxo de Balneário Camboriú.

E foram desses endereços que partiram as principais doações para a campanha de Juliana nas eleições de 2024. Jaimes Bento de Almeida Junior, CEO da Almeida Junior Shopping Center, doou R$ 200 mil para a campanha da candidata do (PSD).

Já os representantes da família Schumacker Rosa, da Embraed Empreendimentos, doaram R$ 160 mil por meio dos CPFs de Tatiana e Diego, segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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