Questão geopolítica dificulta negociação da China com EUA sobre tarifa, diz analista

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O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevação de tarifas de importação, abre agora uma nova fase de relação comercial dos EUA com os países que tiveram seus produtos vendidos aos americanos sobretaxados.

A avaliação é de Maria Irene Jordão, analista global da XP, que participou nesta quinta (3) do programa Morning Call da XP. Para ela, “os países podem retaliar ou sentar-se à mesa para negociação (com os EUA)”.

Mas a analista frisou que é muito difícil numa negociação que a tarifa fique abaixo de 10%, a alíquota mínima imposta, numa possível negociação.

Gatilhos americanos

“Para que as tarifas mínimas universais venham abaixo de 10%, será necessário um gatilho de dentro do próprio Estados Unidos, como risco de recessão ou inflação mais elevada. Tudo isso poderia ser motivo que fariam o próprio Estados Unidos abaixar esse mínimo (de 10%)”, comentou.

Ela vê mais margem de negociação dos EUA com países que estão sofrendo com tarifas mais elevadas, com exceção de um. “No caso da China (que teve a maior alíquota: 54%), existe um objetivo político (dos EUA) em proteger a indústria local em relação ao avanço da China, para não perder o posto de maior economia do mundo”, afirmou.

Pensando nas consequências econômicas da tarifa, a analista disse que as tarifas anunciadas por Trump, no primeiro momento, atinge a inflação desse ano naquele país. “Ela deve sofrer um choque e ficar mais elevada, mas é um choque que está muito ligada à oferta”, disse.

Postura do Fed

Ela acha que o discurso do Federal Reserve (o Fed, o banco central dos EUA) há duas semanas, quando anunciou a manutenção da taxa de juros americana, foi feito “bastante no escuro”.

 Maria Irene Jordão lembrou que o Fed tinha uma expectativa de a inflação americana sofrer no primeiro momento com as medidas de Trump no campo do comércio internacional, mas com chance de convergir à meta de 2%.

Agora, a avaliação pode ter mudado. “Não se tinha (há duas semanas) clareza do tamanho do volume total dessas tarifas e seu efeito sobre a economia”, explicou.

“Além do efeito da tarifa adicional sobre o preço, tem a questão dos encadeamentos às cadeias produtivas no mundo”, pontou. “Existe uma alta de risco de recessão (nos EUA) já que o pacote veio pior do que o mercado esperava”, acrescentou.

“Além do risco para inflação e atividade, existe agora o risco fiscal que ainda não se tem clareza nem as medidas que o governo vai tomar para essa questão”, afirmou. Nos últimos anos, o rombo das contas nos Estados Unidos aumentou sobremaneira e o assunto vinha ganhando corpo no mercado.

Brasil

Rodolfo Margato, economista da XP, que também participou do programa, afirmou que termos absolutos, o tarifaço anunciado por Trump “é um choque negativo, que tende a levar a um equilíbrio com menor crescimento global”.

Para ele, o que preocupa são as commodities. “Sabemos que os preços internacionais (das commodities) são muito importante para o Brasil, que é um exportador”, disse.

“Em termos absolutos, o impacto é negativo inclusive para o Brasil. Mas em termos relativos, foi menor do que o que se temia para o país”, declarou.

O economista pontuou que Brasil tem uma exposição relativamente pequena da economia americana pelo canal comercial. Margato não crê que no curto prazo haja alteração nas expectativas de inflação, do PIB e da taxa Selic no brasil por conta das medidas anunciadas nesta quarta (2).

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