Fundos multiestratégia podem substituir FOFs na carteira de FIIs? Kinea responde

Carlos Martins, gestor da Kinea Investimentos

Os hedge funds, ou multiestratégia, estão prestes a assumir o papel dos tradicionais FOFs (Fundos de Fundos)? Essa foi a provocação discutida por Carlos Martins, gestor de fundos de equity da Kinea, no segundo episódio da nova temporada do programa do Liga de FIIs, apresentado por Marx Gonçalves, da XP e Marcos Baroni, da Suno Research. O programa mergulha nos temas mais relevantes do mercado de fundos imobiliários.

Para Martins, os FOFs seguem com papel importante, sobretudo em momentos desafiadores, quando carregam um “duplo desconto” — tanto nos ativos adquiridos, já depreciados, quanto na própria cota do fundo negociada abaixo do valor patrimonial. 

“Tem investidor que prefere montar sua alocação com fundos puros. E o FOF ainda tem valor, especialmente nesse momento de mercado descontado. Quando ele volta, a volta é potente”, afirmou o gestor, acrescentando que a Kinea continua gostando da estratégia.

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Mesmo assim, ele acredita que os hedge funds devem ganhar ainda mais espaço. “Na casa, resolvemos montar um produto no qual decidimos a alocação entre fundos, imóveis, CRIs e até ações, com base em um comitê formado por sócios especialistas em cada classe de ativo”, explicou Martins. Ele destacou que, pela primeira vez, um único fundo reúne quatro sócios da Kinea, cada um com expertise em uma classe específica, o que permite decisões mais estratégicas e alinhadas ao cenário macroeconômico.

O KNHF11, hedge fund imobiliário da gestora, exemplifica essa abordagem. Em fevereiro, a carteira de FIIs do fundo teve retorno ponderado de 4,04%, acima dos 3,34% registrados pelo IFIX no período. “Hoje, nosso fundo tem bastante CRI, e dado que inflação e juros estão em alta, está praticamente contratado que os dividendos vão aumentar. Só que isso ainda está meio escondido na estrutura do hedge fund”, pontua.

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Hedge funds devem ser a evolução natural do FOFs,  diz Baroni, mas com ressalvas

Baroni também defendeu a ideia de que os hedge funds representam a evolução natural dos FOFs, embora veja limitações. “Os Hedge Funds serão o futuro dos FOFs. Alguns fundos tradicionais ainda vão sobreviver, mas outros já estão buscando novos caminhos, como se transformar em multimercado para preservar os cotistas”, afirmou.

Segundo ele, no entanto, ainda falta histórico para avaliar plenamente a nova classe. “A massa crítica é pequena. Os primeiros hedge funds surgiram depois da pandemia, então ainda não temos dados suficientes para uma conclusão definitiva.”

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Baroni ressalta que, para o hedge fund ser realmente anticíclico, precisará ser mais abrangente, buscando estratégias como desenvolvimento imobiliário ou ativos menos correlacionados com o mercado. “Ele vai ter que ser um hiper hedge fund. Não pode ser só mais um com carteira diversificada — precisa ser muito mais”, afirmou.

Por fim, ele reforça que esse novo tipo de fundo exige também uma adaptação de mentalidade por parte do investidor. “O cotista vai precisar entender que o hedge fund está plantando para colher depois. É uma caixinha diferente, que pode ter yield menor agora, mas entregar ganhos de capital maiores lá na frente.”

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