Os 10 produtos brasileiros mais afetados pelo tarifaço de Trump

Donald Trump durante a assinatura de ordens executivas na Casa Branca após sua posse, em janeiro. Foto: Mandel Ngan/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na última quarta-feira (2), a imposição de uma tarifa de 10% sobre todos os produtos importados do Brasil, medida que entrará em vigor a partir das 0h01 do sábado (5).

Segundo o governo estadunidense, o valor corresponde à mesma taxa que o Brasil aplica a produtos dos EUA, em uma política que Trump chama de “reciprocidade tarifária”.

A nova tarifa afetará todas as exportações brasileiras para os EUA, com destaque para os principais produtos da pauta comercial. Veja os 10 produtos que lideram as vendas do Brasil aos Estados Unidos:

  1. Óleos brutos de petróleo;
  2. Outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligados, de seção transversal retangular, que contenham, em peso, menos de 0,25% de carbono;
  3. Café não torrado, não descafeinado, em grão;
  4. Pastas químicas de madeira, à soda ou ao sulfato, exceto massas para dissolução, semibranqueadas ou branqueadas, de não coníferas;
  5. Ferro fundido bruto não ligado, que contém, em peso, 0,5% ou menos de fósforos;
  6. Outros aviões e outros veículos aéreos, de peso superior a 15.000 kg, vazios;
  7. Outras gasolinas, exceto para aviação;
  8. Aviões e outros veículos aéreos, a turbojato, 7000 kg < peso <= 15000 kg, vazios;
  9. Carnes desossadas de bovino, congeladas;
  10. Produtos semimanufaturados, de outras ligas de aço.
Refinaria da Petrobras; derivados do petróleo representam o produto brasileiro mais exportado aos EUA. Foto: reprodução

Além da taxa geral de 10%, que começa a valer no sábado (5), tarifas setoriais adicionais entrarão em vigor na próxima quarta-feira (9), atingindo setores como automóveis, aço e alumínio – que já enfrentam sobretaxas de 25% desde março.

O governo brasileiro destacou que os EUA tiveram um superávit comercial de US$ 7 bilhões em bens com o Brasil em 2023, valor que sobe para US$ 28 bilhões incluindo serviços. A medida de Trump pode prejudicar especialmente:

– Setor de óleo e gás, maior exportador para os EUA;
– Indústria siderúrgica, que já sofre com tarifas extras;
– Agronegócio, com café e carne bovina na lista de mais afetados.

Em nota, o Itamaraty lamentou a decisão e afirmou que “avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC)”.

No mesmo dia do anúncio, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei de reciprocidade econômica, permitindo ao Brasil adotar medidas semelhantes contra países que impuserem barreiras comerciais.

Já nesta quinta-feira, o presidente Lula anunciou que o Brasil tomará todas as medidas cabíveis contra o “tarifaço” de Trump. Durante o evento “Brasil Dando a Volta por Cima”, organizado pelo governo federal, o petista declarou que o protecionismo “não cabe mais no mundo moderno” e que o país tomará todas as medidas necessárias para defender seus interesses comerciais.

O petista ressaltou que a reação brasileira seguirá as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional no mesmo dia do anúncio de Trump. “[O Brasil] não bate continência para nenhuma outra bandeira que não seja a bandeira verde e amarela”, afirmou o presidente, em referência ao seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), que fez o gesto vexatório.

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