Ambev: dados recentes mostram queda de produção, mas Carnaval pode trazer alívio

A produção de bebidas alcoólicas no Brasil continua em queda, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicando uma retração de 7% em fevereiro deste ano na comparação anual. Esse é o sexto mês consecutivo de baixa, causado tanto por uma base de comparação elevada quanto por sinais de redução no consumo. Apesar disso, há uma expectativa de recuperação em março, especialmente porque o Carnaval ocorreu no início do mês, o que pode trazer números mais positivos.

Analistas do Bradesco BBI apontam que a produção de cerveja tem encontrado dificuldades para se manter estável, e as pressões de custo continuam preocupando o mercado. A inflação da cerveja subiu 4,8% em março, abaixo do índice geral de inflação, mas ainda assim revela um aperto no orçamento do consumidor.

A Ambev (ABEV3), que possui grande presença no setor, diz que segue com limitações para ajustar os preços, principalmente em um contexto de possível desaceleração econômica na segunda metade do ano. A recomendação do banco é neutra, com preço-alvo de R$ 12.

O BBI afirma que a análise cautelosa sobre o desempenho da Ambev se deve ao espaço restrito para revisões de lucro, considerando a pressão competitiva no setor. O múltiplo preço/lucro (P/L) da empresa está em 13,3 vezes para este ano, o que, segundo o banco, não oferece muita margem para manobras, principalmente diante de um consumo mais fraco. A combinação de custos elevados e competição intensa tem mantido as expectativas conservadoras para o restante do ano.

Já os analistas do do Bank of America (BofA) observam um aumento dos preços das cervejas premium, especialmente da Heineken, que registrou alta de 5,7% no canal on-trade (bares e restaurantes) entre dezembro e março.

A Ambev também reajustou os preços de marcas como Stella Artois e Corona, embora de forma mais modesta. No segmento mainstream, a Itaipava aumentou os preços em 5% no período, enquanto a Budweiser teve alta de 8,4% no canal on-trade.

O BofA diz ainda que os custos de produção da Ambev devem aumentar ao longo deste ano, devido à desvalorização do real e aos preços mais altos de insumos como alumínio e milho. As empresas que têm maior exposição a custos spot já enfrentam uma elevação de 6% na comparação trimestral e de 15% na anual. A política de hedge da Ambev ajuda a diminuir parte desse aumento, mas os obstáculos para manter a rentabilidade permanecem.

Apesar da queda nos números de fevereiro, o Goldman Sachs avalia que o consenso do mercado está mais inclinado para uma leve contração de volume na Ambev no primeiro trimestre deste ano. Ainda assim, o banco considera possível que haja surpresas positivas em termos de volume.

A instituição mantém uma recomendação de venda para as ações da Ambev, argumentando que será difícil sustentar volumes elevados, aumento de participação de mercado, repasse da inflação nos preços e uma oferta de produtos mais diversificada, em meio a um contexto econômico enfraquecido e aumento nos custos de produção.

O banco ainda considera o desempenho da Heineken no Brasil, que deve apresentar redução de volume no primeiro trimestre, por causa de dificuldades específicas da marca no mercado local. A expectativa dos analistas é que os números de março tragam uma recuperação, alavancados pela temporada de Carnaval, que tradicionalmente aquece as vendas do setor.

O Goldman Sachs mantém um preço-alvo de R$ 11,05 para as ações da Ambev (ABEV3) no mercado local e de US$ 1,95 para os ADRs negociados nos Estados Unidos. A avaliação utiliza uma combinação de Fluxo de Caixa Descontado (FCD) e múltiplos de mercado, com um custo de capital de 13,1% e crescimento terminal projetado de 3,4%. Os principais fatores que poderiam modificar essa visão, dizem os analistas, incluem uma distribuição maior de dividendos, fortalecimento da marca Skol, desvalorização cambial e melhora das condições econômicas na Argentina.

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