Entidades denunciam avanço da privatização e da precarização da educação em SP

O lançamento do manifesto reuniu lideranças e parlamentares, incluindo a deputada federal Juliana Cardoso (PT-SP). Foto: Divulgação

A Adusp é signatária do Manifesto da Frente Popular em Defesa da Escola Pública, movimento lançado em ato realizado no último sábado (29 de março) no salão nobre da Faculdade de Direito da USP. Para assinar o documento, clique aqui.

A Frente é uma iniciativa  de diversas entidades, movimentos, associações populares, representantes sindicais e professores(as) universitários(as), e visa combater o desmonte da educação pública.

Entre suas articuladoras estão as professoras Sonia Kruppa (FEUSP) e Vera Bohomoletz Henriques, docente do Instituto de Física (IFUSP) e uma das idealizadoras do Encontro USP-Escola, que existe desde 2007 e oferece cursos, palestras e oficinas de formação continuada para professores(as) de todas as disciplinas do ensino básico.

“A escola pública brasileira está sob ataque”, diz o manifesto, ao ressaltar o “avanço das políticas de privatização, da precarização do trabalho docente e da destruição progressiva dos direitos conquistados”.

“Desde as eleições estaduais de 2022 e municipais de 2024, os projetos alinhados ao extremismo conservador e ao mercado têm se intensificado, impondo parcerias com empresas, terceirizações e até a entrega de escolas para a gestão privada, com direito a leilões em bolsas de valores. Isso representa não apenas o roubo do direito à educação pública e gratuita, mas a violação da dignidade de nossas crianças, jovens e profissionais da educação”, prossegue o manifesto.

A Frente denuncia que, “quando o mercado toma conta das políticas públicas, os resultados são trágicos: encarecimento de serviços, perda de qualidade, rotatividade de profissionais, precarização, ruptura dos vínculos comunitários e desmonte da participação e acompanhamento social”.

“Isso já está ocorrendo na saúde, assistência social, cultura e demais áreas públicas. Não aceitaremos que aconteça com a educação”, afirma o manifesto. “A escola pública é um território de conhecimento, de trocas, de afeto, de construção de sonhos coletivos e de relações com o território e as demais políticas públicas. É nela que germina a esperança de um país mais justo, solidário e democrático. E é por isso que ela está sendo atacada: porque promove pensamento crítico, liberdade e emancipação.”

“Entre as preocupações dos movimentos, estão as iniciativas de privatização da gestão escolar; a plataformização e a uniformização das aulas em todo o estado de São Paulo, em um sistema em que os professores de todas as matérias (ou ‘disciplinas’) e de todas as etapas de ensino (para crianças de sete anos a jovens de 17 anos) recebem apresentações em powerpoint prontas, que devem ser utilizadas, sob ameaça de punições e demissões; e o fato de que os adolescentes que precisam estudar no período noturno não encontram mais vagas, pois o turno noturno foi fechado em mais de metade das escolas”, aponta a professora Vera Henriques.

“A universidade pública, como espaço de pesquisa, reflexão e crítica, não pode estar ausente na defesa da educação para todos, e precisa se reunir aos movimentos que defendem os direitos à educação garantidos pela Constituição de 1988, conquistados a partir de grandes lutas”, prossegue.

Na avaliação de Otaviano Helene, professor sênior do IF e ex-presidente da Adusp, a união de diferentes entidades e movimentos “é muito importante para enfrentar o que vem acontecendo na educação pública, especialmente em São Paulo”.

“Espero que essa iniciativa se desdobre, se expanda e atinja o tamanho necessário para enfrentar aqueles que veem a educação pública como inimiga. Individualmente as entidades não conseguem se contrapor ao poder de fogo, ao poder de persuasão e ao poder de enganação dessas forças. Se não nos unirmos, não vamos conseguir enfrentá-los”, afirma o docente, que participou do ato de lançamento.

Jovens em manifestação contra a privatização. Foto: Divulgação

A Frente vai realizar ao longo do mês de abril jornadas de discussão e ampliação do movimento. Na FEUSP, a agenda é a seguinte:

2/4 – Violações ao direito à educação básica pública em seus diversos níveis e modalidades.

9/4 – Autoritarismo, militarização e política armada na escola pública: ameaças à democracia.

16/4 – Avaliação controle como instrumento da privatização.

23/4 – O grupo de Atuação Especial da Educação do Ministério Público de São Paulo e a defesa dos princípios constitucionais da valorização dos professores e da qualidade de ensino.

Os debates ocorrem no Auditório Lisete Arelaro da FEUSP, sempre às 19h30min.

No dia 1º de maio, será realizada uma plenária popular para a construção de uma agenda de luta e ações solidárias à escola pública.

Originalmente publicado no Site da Adusp

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