Galípolo se reúne com banqueiros neste sábado (5) por caso Banco Master

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, convocou uma reunião emergencial para este sábado (5) com os principais executivos do sistema financeiro brasileiro para discutir a polêmica aquisição do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). A operação, avaliada em R$ 2 bilhões, tem gerado preocupações no mercado sobre riscos sistêmicos e a qualidade dos ativos envolvidos.

Entre os convocados estão os presidentes dos três maiores bancos privados do país: Milton Maluhy (Itaú Unibanco), Marcelo Noronha (Bradesco) e Mario Leão (Santander Brasil). Também participarão André Esteves, sócio e presidente do conselho do BTG Pactual, e Daniel Lima, presidente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ao Estadão, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que “a iniciativa da reunião não partiu da Febraban, que não participará”.

Fontes do setor financeiro revelam que os grandes bancos têm analisado com cautela a operação desde seu anúncio, em 28 de junho. O principal ponto de atenção é a carteira do Banco Master, composta em grande parte por ativos pouco líquidos, como precatórios e direitos de recebimento incertos.

Além disso, o banco tem um volume significativo de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) a vencer este ano, o que aumenta a preocupação com sua capacidade de honrar os compromissos.

“Há um temor de que, se a operação não for bem estruturada, possa gerar instabilidade no sistema”, afirmou uma fonte próxima ao assunto, sob condição de anonimato ao Estadão.

Sede do banco BRB, banco público que incorporou o Banco Master. Foto: Ed Alves/CB/DA.Press

Investigação contra o BRB

O negócio também está sob o radar do Ministério Público de Contas do Distrito Federal, que abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades. O órgão solicitou ao BRB que detalhe as informações da operação e envie a íntegra do processo interno que autorizou a transação.

O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) formalizou um pedido de investigação, alertando para “riscos de prejuízos ao patrimônio público”. O Sindicato dos Bancários do DF também se manifestou, classificando a compra como “possível gestão temerária”.

O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, defendeu a operação, afirmando que ela foi conduzida de forma técnica, sem interferência política, e que houve uma análise criteriosa da carteira do Master. Em comunicado, o banco explicou que “certos ativos e passivos não estratégicos” do Master serão segregados antes da conclusão do negócio.

A transação ainda depende de aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), além da conclusão de uma auditoria independente sobre os ativos e passivos do Master. Há especulações no mercado de que o BTG Pactual poderia ficar com parte dos ativos não vendidos ao BRB, mas, segundo apurou a reportagem, não há uma proposta formal nesse sentido.

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