“Sofri racismo na faculdade de Medicina”, diz jovem negra caloura em instituição particular de SP

A auxiliar de enfermagem Talita Araújo, de 32 anos, realiza o sonho de cursar Medicina em uma universidade particular no Guarujá, no litoral de São Paulo, graças a uma bolsa obtida junto ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Porém, a caloura denuncia que foi vítima de racismo na instituição, depois que fez uma postagem nas redes sociais falando como é ser negra e bolsista em um ambiente elitizado.

Em entrevista ao portal “Metrópoles”, Talita relatou que fez a postagem nas suas redes sociais contando sua experiência como “mulher negra, periférica, mãe solo, trabalhadora” e, agora, bolsista do Fies na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).

Sem citar o nome da universidade ou de colegas, ela destacou como faz para conciliar o trabalho e os estudos, citando questões de cunho racial na sala. “Simplesmente foi o relato de uma pessoa negra estando em um contexto elitizado”, explicou a jovem.

No entanto, após a postagem, ela foi abordada por duas colegas de maneira agressiva e recebeu um alerta de que “deveria tomar cuidado com o que fala, pois isso poderia se voltar contra ela”.

LEIA TAMBÉM:

  • Professores que imitaram macaco em roda de samba no RJ são indiciados por racismo no Dia da Consciência Negra
  • Ana Paula Minerato é desligada da Gaviões da Fiel após falas racistas contra cantora; entenda o caso
  • Mulher é investigada após xingar segurança de shopping de ‘negro demônio’ no litoral de SP; vídeo

Talita assistiu às aulas normalmente depois da abordagem, mas, ao sair de uma sala, se deparou com uma multidão no corredor que queria “satisfações” sobre as falas dela. “Falaram que eu estava generalizando que todos ali iam para a faculdade sempre bem vestidos, esbanjando dinheiro. E isso não foi o que eu disse”, ressaltou.

A estudante disse que foi impedida de caminhar, enquanto ouvia citações racistas. Segundo ela, uma das colegas “disse ‘você queria que a gente viesse pra faculdade mal vestido? Que a gente pintasse nossa pele de preto?’. Isso foi uma clara alusão à cor da minha pele, fazendo uma relação racista entre ser negro e estar desarrumado”, lamentou a jovem.

Depois do episódio, Talita solicitou as imagens de câmeras de segurança da universidade, registrou um boletim de ocorrência denunciando que foi vítima de racismo e diz que pretende buscar as medidas cabíveis.

A estudante que teria iniciado o ataque contra a estudante, que era líder de sala, foi afastada da função, segundo contou a advogada Jéssica Souza, que acompanha o caso, também ao “Metrópoles”.

Em nota, a Unoeste afirmou que está acompanhando o caso com atenção e responsabilidade, designando professores e psicólogos para apurar os fatos. Em relação às imagens que gravaram o episódio, a instituição pontuou que “necessita de análise em cumprimento à legislação aplicável”.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.