Pão francês: vilão ou mocinho da alimentação brasileira?

O pão francês é um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros. Com 2,35 milhões de toneladas consumidas por ano, o pãozinho representa 34,39% do total de pães consumidos no país, consolidando-se como o mais popular entre os panificados, informa a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip).

“O pão francês vai muito além do café da manhã. Ele faz parte da história, da cultura e da economia do Brasil. Sua popularidade se mantém firme ao longo dos anos porque une sabor, tradição e acessibilidade. E, para os panificadores, continua sendo um produto estratégico, de alto volume de vendas e essencial para a sustentabilidade do setor”, destaca Paulo Menegueli, presidente da Abip, ao comentar o Dia do Pão Francês, celebrado nesta sexta-feira (21).

Apesar de estar no topo das preferências dos brasileiros, o alimento produzido a partir da mistura de farinha de trigo, água, fermento e sal é rico em carboidrato e pode gerar a dúvida: ele é um aliado ou um inimigo da alimentação saudável?

Segundo a nutricionista Caroline Calloni, o pão francês pode fazer parte de uma dieta equilibrada, desde que consumido com moderação.

“Ele é uma boa fonte de carboidratos, ferro e vitaminas do complexo B. Mas é importante consumi-lo acompanhado de proteínas de boa qualidade (como ovos, queijos, frango desfiado), gorduras boas e fibras para modular a resposta glicêmica, já que é um alimento rico em carboidratos refinados”, explica.

Pontos de atenção

A ausência de fibras, no entanto, é um ponto de atenção. A médica nutróloga Fernanda Vasconcelos alerta que, por ser um carboidrato refinado, ele promove um aumento do pico de insulina, eleva a glicose, favorece a resistência insulínica e predispõe o organismo a questões inflamatórias e ao acúmulo de gordura. Ou seja, para quem pratica atividade física, essa liberação rápida de energia pode ser benéfica, mas, para quem tem diabetes ou resistência insulínica, é um risco.

“O alimento é rapidamente absorvido pelo organismo, pois a fibra teria a função de retardar essa absorção, tornando-a mais lenta e gradual. Isso ajudaria a controlar os níveis de insulina no pâncreas e a manter a saúde metabólica. Como o pão francês não tem fibras, essa regulação fica comprometida”, esclarece a médica.

E tem quantidade ideal de consumo? Segundo a nutróloga, depende de alguns fatores, como o nível de exercício praticado e do gasto calórico de cada indivíduo, mas em geral, uma unidade é o suficiente dentro de uma alimentação equilibrada.

“Sempre que possível, as versões mais integrais, naturais e fermentadas naturalmente são mais interessantes, mas, se for uma pessoa que treina, vai precisar repor o carboidrato, então uma unidade será pouco. Dependendo do gasto energético diário da pessoa, ela poderá comer muito mais do que isso sem problema”

— Fernanda Vasconcelos, médica nutróloga

O impacto do pão francês no peso corporal também depende do contexto alimentar. Se consumido em excesso e sem equilíbrio nutricional – quando combinado com alimentos com alto conteúdo de açúcares simples, gorduras e pouca fibra, por exemplo – pode contribuir para o ganho de gordura abdominal e alterações metabólicas.

“Nenhum alimento isoladamente faz alguém ganhar peso. Quando ele for contabilizado na dieta em relação a suas calorias e nutrientes, não necessariamente isso irá ocorrer”, diz Caroline.

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Para Lara Natacci, diretora clínica da Dietnet e nutricionista PhD pela USP, o pão não precisa ser excluído da dieta, até porque o alimento faz parte da cultura brasileira. “É importante manter os alimentos que gostamos de comer, que trazem prazer para gente”, comenta.

Segundo a nutricionista, a chave é a combinação. “Ao ser acompanhado de proteínas e fibras, como queijo magro ou farelo de aveia, seu efeito na glicose é reduzido”, afirma Lara. O problema é consumir quatro ou cinco pães franceses numa refeição só e não o associar com alimentos ricos em fibras e proteínas.

O segredo está no equilíbrio: o pão pode ser mocinho ou vilão, dependendo de como e o quanto ele é consumido.

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