Trump “tomou conta” do tabuleiro global, mas Lula ainda terá papel, diz Celso Amorim

O assessor especial da presidência, Celso Amorim, 26/06/2023. (Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou em entrevista à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que o Brasil — assim como outras nações que propuseram alternativas diplomáticas à guerra na Ucrânia — está momentaneamente fora das conversas mais relevantes sobre o fim do conflito, mas que o cenário ainda deve se abrir à participação de mais países.

“Não é só o Brasil [que parece ausente]. É o Brasil, a França, são todos os países que tinham um projeto de paz”, disse Amorim. Para ele, a recente reaproximação entre Rússia e Estados Unidos, impulsionada pelas ações do presidente norte-americano Donald Trump, reorganizou o tabuleiro diplomático global. “Eu acho que a presença do Trump tomou conta de tudo com essas atitudes novas e inesperadas dele”, afirmou.

Apesar da ausência momentânea nas mesas de negociação, Amorim acredita que o Brasil ainda poderá exercer um papel relevante como mediador. “O Putin está lá conversando com o Trump. Não vamos dar uma de Woody Allen e dizer: ‘Olha aqui, você tem que me ouvir também’. Mas, na medida em que isso [o diálogo entre EUA, Rússia e Ucrânia] se desenvolva, acho que eles vão precisar de outros países, de mediadores. Vão ter que multilateralizar o processo, até mesmo para evitar os atritos naturais que existem entre Rússia e EUA”, afirmou. “Deixa as coisas evoluírem. No momento adequado, nós vamos ter, sim, um papel.”

Amorim também rechaçou a ideia de que a liderança internacional do presidente Lula esteja enfraquecida. Segundo ele, a agenda internacional do petista segue intensa, com destaque para as viagens programadas a Moscou e Pequim em maio. “O presidente está indo [em maio] para a Rússia, onde vai ter uma reunião bilateral com o Putin, e para a China, onde vai se encontrar com Xi Jinping. Está mostrando claramente que o Brasil não está subordinado, não é só o Western Hemisphere. Ele é sul global, ativo, junto com as duas maiores potências do mundo fora os EUA.”

Questionado sobre rumores de que Lula teria sido aconselhado a recuar em sua atuação internacional, Amorim foi enfático: “Não por mim. E acho que o presidente não se deixa orientar. Ele é dono da cabeça dele.”

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