Desinformação sobre TDAH no TikTok leva a autodiagnósticos errados, aponta estudo

Há milhares de vídeos sobre transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) no TikTok, mas a sua grande maioria apresenta informações que não seguem as diretrizes clínicas. Isso pode levar ao aumento de autodiagnósticos equivocados. 

De acordo com o estudo Global Burden of Disease, TDAH afeta cerca de 1% da população mundial. Existe um debate ativo para entender se a condição é subdiagnosticada ou não, e alguns psicólogos acreditam que sua prevalência pode ser maior.

Uma pesquisa publicada em 19 de março no Public Library of Science mostra a relação de influência sobre o TDAH causada pela rede social. 

Vasileia Karasavva, da University of British Columbia, Canadá, junto com sua equipe, analisou os 100 vídeos mais vistos com a hashtag #ADHD no TikTok em 10 de janeiro de 2023. Os vídeos tiveram quase 496 milhões de visualizações ao todo, com uma média de 984 mil curtidas.

Avaliação de vídeos sobre TDAH no TikTok

De acordo com a pesquisa, em média, os vídeos apresentaram três alegações sobre TDAH. A partir disso, os pesquisadores mostraram cada uma delas para dois psicólogos. Depois disso, eles foram perguntados se a alegação refletia um sintoma de TDAH a partir do DSM-5, um livro popular usado para diagnosticar transtornos mentais. 

Somente 48,7% correspondia corretamente, e indo além disso, mais de dois terços dos vídeos atribuíram supostos sintomas de TDAH a “experiências humanas normais”, segundo os psicólogos.

O próximo passo foi uma avaliação por parte dos psicólogos, dando uma nota de 0 a 5. Em seguida, 843 alunos da universidade assistiram aos cinco vídeos mais bem avaliados e aos cinco piores, de acordo com os psicólogos, e também atribuíram suas próprias notas.  

Os vídeos considerados mais precisos pelos psicólogos receberam, em média, uma pontuação de 3,6, enquanto os alunos os avaliaram com 2,8. Já os vídeos menos precisos, a média foi de 1,1 na classificação dos psicólogos, enquanto os alunos deram a eles 2,3.

Ainda, os pesquisadores perguntaram se os alunos recomendariam os vídeos e qual eram suas próprias percepções sobre o TDAH na sociedade. 

Karasavva, em nota à imprensa, explica que existe uma relação de que quanto mais tempo uma pessoa assiste a conteúdos sobre TDAH no TikTok, maior a tendência de considerar esses vídeos úteis, precisos e recomendá-los a outras pessoas.

Apesar das informações falsas ou incorretas sobre a condição, proibir vídeos de TDAH no TikTok “não é útil”, segundo Karasavva. 

“Talvez mais especialistas devessem publicar mais vídeos, ou talvez também pudessem ser apenas usuários individuais assumindo a responsabilidade de serem um pouco mais criteriosos e críticos em relação ao conteúdo que consomem”, diz ela, em nota.

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