Lindbergh critica Bolsonaro por defesa ao tarifaço de Trump: “Submissão e vassalagem”

O olhar de admiração de Bolsonaro a Trump. Foto: reprodução

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, detonou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por sua defesa pública de Donald Trump em meio a guerra comercial que o republicano está iniciando entre Estados Unidos e Brasil. O presidente estadunidense prepara anúncio de novas tarifas que podem afetar setores estratégicos das exportações brasileiras.

Em publicação nas redes sociais, Farias acusou Bolsonaro de “submissão e vassalagem” aos interesses de Trump:

“Chega a ser inacreditável a postura de submissão e vassalagem de Bolsonaro diante de Trump. Num momento de unidade de todos os setores econômicos brasileiros, inclusive do agronegócio, em torno de um projeto de reciprocidade tarifária, cujo relatório é da senadora e ex-ministra Tereza Cristina, o ex-presidente trai completamente os interesses nacionais”, escreveu o petista.

“Enquanto o mundo está reagindo, Bolsonaro preferiu o ‘América Grande de Novo’ ao ‘Brasil acima de tudo’. Que vergonha”, completou.

A defesa de Bolsonaro a Trump

O ex-presidente brasileiro respondeu às críticas defendendo a aproximação com os EUA e atacando o governo Lula: “A guerra comercial com os Estados Unidos não é uma estratégia inteligente que proteja os interesses do povo brasileiro”, escreveu Bolsonaro em inglês e português.

“A única resposta razoável às tarifas recíprocas dos EUA é que o governo Lula abandone a mentalidade socialista que impõe altas tarifas aos produtos americanos”, prosseguiu.

Segundo ele, Trump “está simplesmente protegendo seu país contra esse vírus socialista”. O ex-presidente ainda citou como exemplo as negociações tarifárias durante seu governo: “Dobrar e agravar a crise com nosso segundo maior parceiro comercial não é uma resposta sensata. Apostei na diplomacia, não no conflito”, afirmou.

A alegação de sucesso nas negociações com Trump, no entanto, não se baseiam em fatos. Em 2020, o governo dos EUA impôs barreiras às exportações brasileiras de aço, justamente um dos setores que Bolsonaro afirma ter protegido.

A decisão de Trump, tomada às vésperas das eleições estadunidenses daquele ano, limitou as cotas de importação de produtos siderúrgicos do Brasil. Na época, o governo Bolsonaro evitou críticas públicas à medida, em atitude interpretada como apoio à campanha de reeleição do republicano.

“Abriram mão do interesse nacional para defender a eleição de Trump”, lembra um negociador comercial brasileiro que acompanhou o caso.

Os produtos semiacabados de aço, afetados pela decisão americana, representavam mais de 80% das exportações brasileiras para os EUA no setor, com receita de quase US$ 2 bilhões.

O episódio revelou os limites da relação especial que Bolsonaro acreditava ter com Trump. Durante seu governo, o Brasil:
– Abriu mercado para o trigo estadunidense
– Renunciou ao status de país em desenvolvimento
– Alterou posições históricas na ONU para se alinhar aos EUA

A expectativa de contrapartidas comerciais, no entanto, nunca se concretizou. Em 2022, quando Bolsonaro tentou reverter as restrições ao aço brasileiro, já sob o governo Biden, seu pedido foi ignorado.

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