Sabesp após os R$ 100 por ação: BBI vê mais alta com revisão e expansão no saneamento

Sabesp

Após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2024 (4T24) da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp (SBSP3), especialistas do Bradesco BBI ajustaram suas estimativas para a empresa para incorporar novos desdobramentos relacionados à revisão tarifária prevista para dezembro deste ano.

Agora, o banco tem recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 135 para o final deste ano, o que coloca a Sabesp como uma das principais apostas do setor de saneamento. A projeção aponta para um potencial de valorização de 32%, refletindo perspectivas positivas quanto à evolução dos resultados e ao ambiente regulatório. Em 2025, as ações sobem cerca de 15%, superando os R$ 100.

Esse processo, segundo os analistas, é considerado importante para consolidar a estabilidade da regulação estadual de São Paulo, diante do compromisso do governo com a universalização dos serviços de saneamento até 2029. O banco diz que a Sabesp permanece no centro desse processo, posicionando-se como peça-chave para o cumprimento das metas estabelecidas.

A revisão tarifária no saneamento é um processo regulatório realizado periodicamente pelas agências reguladoras para atualizar as tarifas cobradas pelas empresas de saneamento, como água e esgoto. O principal objetivo é garantir que as tarifas reflitam de forma justa os custos operacionais, os investimentos realizados e a remuneração adequada do capital investido, mantendo o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão.

O BBI aponta ainda que a revisão tarifária adquire relevância adicional devido à proximidade das eleições de 2026, quando aumentos de tarifas podem enfrentar resistência política. Para evitar imprevistos, espera-se que a atualização do capex (investimento) na Base de Ativos Regulatórios (RAB) tenha ocorrido até dezembro de 2024.

Uma solução possível, segundo os analistas, inclui o reconhecimento de um ativo regulatório denominado ‘CVA’, referente ao fluxo de caixa devido à Sabesp pelo capex realizado neste ano, caso não esteja incluído na revisão de dezembro de 2025. Nas projeções dos estrategistas, isso garantiria o retorno econômico previsto, evitando sobrecarga nas tarifas e preservando o equilíbrio financeiro da companhia.

Outro fator que reforça as expectativas positivas é o crescimento inorgânico no estado de São Paulo, que pode ocorrer mais rapidamente do que o inicialmente projetado, segundo o BBI. O governo estadual planeja realizar leilões de quatro a cinco novas Unidades Regionais de Saneamento (Uraes) a partir do primeiro semestre de 2026, abrangendo aproximadamente 133 municípios com demandas de investimento que somam mais de R$ 35 bilhões para alcançar a universalização dos serviços. Pelas contas do banco, isso representa quase metade do plano de Capex da própria Sabesp.

Como operadora incumbente, lembra o Bradesco BBI, a Sabesp possui vantagem competitiva nesses processos, o que a coloca em posição estratégica para aproveitar as novas oportunidades de mercado. Apesar de o crescimento inorgânico ter sido tradicionalmente visto como algo de longo prazo, os analistas observam que as recentes movimentações indicam que a expansão pode se concretizar mais rapidamente, ampliando o valor da empresa.

Dividendos e crescimento

Um ponto relevante é o retorno atrativo oferecido pelas ações da Sabesp. Atualmente, a companhia é negociada com uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real de 12%, um diferencial de 440 pontos-base acima do rendimento do título NTN-B, um tipo de investimento em renda fixa. Comparações com empresas que historicamente registraram compressão de TIR, como Equatorial (EQTL3) e companhias focadas em dividendos, como Taesa (TAEE11) e CPFL (CPFE3), de acordo com os analistas, indicam que a Sabesp pode seguir um caminho semelhante.

Para os analistas, o crescimento orgânico deve ser impulsionado por cortes de despesas operacionais (Opex) e ampliação da base de ativos regulatórios, enquanto a alavancagem financeira está sob controle, com índice máximo de 2,7 vezes, garantindo margem para discussões sobre aumento de dividendos com o estado.

À medida que o ciclo de investimentos se aproxima do fim, o BBI espera que a Sabesp se torne uma das maiores distribuidoras de dividendos do setor, ao mesmo tempo que usufrui uma gestão financeira equilibrada.

Abordagem pode agregar até R$ 6 bi

Em janeiro deste ano, o Bank of America (BofA) também revisou sua avaliação sobre a Sabesp, reafirmando sua recomendação de compra das ações da companhia. O preço-alvo foi ajustado de R$ 115 para R$ 116. Para o banco, a Sabesp continua sendo uma das preferidas no setor de serviços públicos no Brasil, com boas projeções apoiadas por atualizações regulatórias e estratégias empresariais bem direcionadas.

Assim como o BBI, o BofA fundamentou sua decisão na recente aprovação de mudanças nas normas tarifárias pelos municípios que têm concessão com a Sabesp, ocorrida em 23 de dezembro. Essa nova abordagem, calculam os analistas, pode agregar de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões ao Valor Presente Líquido (VPL) da empresa, o que representa um aumento de 5% a 8% em comparação com as projeções anteriores.

O BofA lembra que, atualmente, a Sabesp enfrenta um intervalo de cerca de 18 meses para que os investimentos sejam reconhecidos na RAB, o que afeta diretamente os retornos previstos pela regulação. A proposta atual pode reduzir essa defasagem para seis meses. Caso o atraso seja completamente solucionado, a companhia pode alcançar um acréscimo de R$ 6 bilhões em seu valor.

Outro fator analisado pelo BofA foi o efeito de decisões judiciais preliminares que garantiram descontos a grandes clientes da Sabesp. Esses abatimentos representam cerca de R$ 800 milhões da diferença atual de receita em relação aos patamares regulatórios, que está em torno de 7%.

À época, o banco avaliou que, com a nova regulação, aproximadamente R$ 300 milhões desse déficit podem ser compensados nos ajustes tarifários futuros, enquanto a companhia também possui possibilidades de reverter decisões desfavoráveis na Justiça.

O BofA projeta um crescimento anual composto (Cagr) de 22% para o lucro antes de juros , impostos, depreciação e amortização (Ebitda) nos próximos quatro anos, com uma avaliação atraente que apresenta um múltiplo Ev/RAB — um indicador financeiro que relaciona o valor de uma empresa com seus ativos regulatórios — inferior a 1x para este ano.

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