Não há surpresa na pesquisa ao abordar a violência

editorial

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nessa quarta-feira não apontou apenas o aumento da desaprovação do Governo Lula – agora em crise até entre o eleitorado feminino -, mas também destacou a percepção do brasileiro sobre os eventos que ocorrem ao seu redor. Pela primeira vez, a violência tornou-se a maior preocupação. Desde abril de 2023, quando a série de levantamentos começou, esta nunca havia sido a principal inquietação da população.

De acordo com o relatório, na última pesquisa realizada em janeiro deste ano, a violência registrava 26% das preocupações dos entrevistados, enquanto questões sociais apareciam com 23%, as duas empatadas dentro da margem de erro. Agora, os dados indicam que a preocupação com a violência subiu para 29%, consolidando-se como a maior do país.

As questões sociais mantiveram os mesmos 23%, empatadas com a economia, que registrou 19%. Essa categoria engloba temas como fome, miséria, população em situação de rua e pobreza.

Os números foram inéditos em várias categorias, mas em nenhuma delas causaram surpresa. Enquanto a maioria das mulheres demonstra o seu desapontamento com a gestão Lula, especialmente em razão do preço dos alimentos, a questão da segurança tornou-se um tema comum em todos os quadrantes do país.

A violência tem aumentado, e a população, além de  refém do crime, se sente abandonada pelo Estado. As organizações estão aumentando o seu poder de ação enquanto os governos estaduais e a União ainda não chegaram a um consenso sobre um plano nacional de segurança capaz de conciliar protocolos de todas as instâncias.

Os governadores, especialmente da Região Sudeste e do Centro-Oeste, resistem a encampar o projeto apresentado pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, sob o argumento de o texto implicar ingerência do Governo federal nas ações das polícias estaduais. Há como pano de fundo o jogo político, pois os governadores que mais resistem, além de estarem na trincheira oposicionista, têm interesses diretos nas eleições de 2026.

Embora o pleito esteja programado apenas para outubro do ano que vem, está claro que o jogo eleitoral já está sendo jogado, mesmo que isso implique problemas para a população. O plano do ministro tem virtudes e pode ser aprimorado, mas ninguém aceita sentar-se à mesa em busca do consenso. Enquanto isso, as facções, além de assinarem pacto de não agressão, atuam coordenadas em métodos e equipes.

A pesquisa tem o viés pedagógico em apontar que os políticos precisam ouvir o apelo das ruas. Ao colocar a violência como sua principal preocupação, os pesquisados indicaram que é preciso fazer algo além do enfrentamento diário. As equipes de inteligência precisam trocar informações e, se preciso, ir em grupo às ruas. Ficar apenas no discurso não atende a essa nova demanda.

 

 

 

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