Tarifaço de Trump é alvo de deboche com cena de “Curtindo a Vida Adoidado”

Professor do filme Curtindo a Vida Adoidado falando, de óculos, sem olhar para a câmera
Cena com professor de Curtindo a Vida Adoidado – Reprodução

A nova política de tarifas de importação anunciada por Donald Trump gerou polêmica nos mercados internacionais e, curiosamente, também trouxe à tona uma clássica cena do filme “Curtindo a Vida Adoidado”, de 1986. Usuários nas redes sociais estão comparando a iniciativa do presidente dos EUA com a Lei Smoot-Hawley, medida protecionista adotada durante a Grande Depressão que, segundo especialistas, agravou a crise econômica da época.

Na quarta-feira (2), Donald Trump afirmou que os Estados Unidos irão impor uma tarifa de 10% sobre todas as importações vindas do Brasil. Outros países também serão afetados com tributações ainda mais altas. Segundo o republicano, o objetivo é “libertar” a economia americana da dependência de produtos estrangeiros, fortalecendo a indústria e a agricultura nacional.

No entanto, a reação foi imediata: bolsas internacionais caíram e a internet reagiu com críticas e memes. Entre eles, viralizou um trecho do filme “Curtindo a Vida Adoidado”, no qual um professor entediado tenta explicar a Lei Tarifária Smoot-Hawley para uma turma desinteressada.

“O professor de ‘Curtindo a Vida Adoidado’ explicando as tarifas do Trump”, ironizou um internauta ao compartilhar a cena. Na sequência do filme, o professor explica como, em 1930, o Congresso dos EUA, controlado pelos republicanos, aprovou o Ato Tarifário de Hawley-Smoot.

A lei aumentou as tarifas sobre produtos estrangeiros na tentativa de proteger o mercado interno. O resultado, no entanto, foi o oposto do esperado: os países afetados retaliaram com tarifas recíprocas, o que fez o comércio global despencar 66% entre 1929 e 1934.

Assim como a proposta de Trump, a Lei Smoot-Hawley também prometia recuperar a economia americana. No entanto, historiadores e economistas concordam que o protecionismo aprofundou a crise dos anos 1930. O site do Departamento de Estado dos EUA afirma que a legislação “não promoveu a cooperação entre nações em um período delicado das relações internacionais”.

O chefe do governo dos EUA, por outro lado, alega que a crise de 1929 foi causada pela redução de tarifas nos anos anteriores e que a retomada do protecionismo é essencial para fortalecer a indústria americana. A posição do ex-presidente foi duramente criticada por veículos especializados, como a revista “The Economist”, que afirmou que as afirmações do mandatário sobre história e economia são infundadas e ilusórias.

Donald Trump com tabela do 'tarifaço'
Donald Trump com tabela do ‘tarifaço’ – Carlos Barria/Reuters

Economistas afirmam que a política de tarifas pode levar anos para surtir efeito, e que, no curto prazo, os consumidores americanos sentirão no bolso com o aumento de preços. Além disso, aliados comerciais devem reagir com tarifas contra produtos dos EUA, o que pode desencadear uma nova guerra comercial.

A comparação com o filme dos anos 1980 ilustra, de forma leve e irônica, um alerta sério: medidas protecionistas mal planejadas têm potencial para desencadear crises profundas. Como diz o próprio Departamento de Estado americano, a expressão “Smoot-Hawley” é usada até hoje como alerta contra os perigos do protecionismo econômico.

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