Sakamoto: Tarifas de Trump são fake estatística e conta de padaria, diz pesquisador

Donald Trump durante anúncio de novas tarifas em produtos importados pelos Estados Unidos – Foto: Reprodução

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

O presidente Donald Trump produziu a “maior fake news estatística da história” ao apresentar a sua tabela de tarifas que serão impostas pelos Estados Unidos a produtos de outros países, na avaliação de Pedro Rossi, professor livre-docente do Instituto de Economia da Unicamp e vice-presidente do Global Fund For a New Economy. “Vamos deixar claro: o critério foi o déficit no saldo comercial, não tem nada de reciprocidade de tarifas.”

Para Rossi, o presidente norte-americano se apresenta como alguém que quer apenas garantir justiça aos seus cidadãos norte-americanos, mas está produzindo uma guerra comercial sob uma justificativa falsa.

“O que Trump chamou de tarifa recíproca não é o que o nome diz, mas uma tarifa estimada para fechar o déficit comercial americano com os países, baseada em uma conta de padaria, que estipula como suposição uma elasticidade preço das importações e um repasse das tarifas para inflação”, diz.

Em um memorando de fevereiro, Trump ordenou uma análise abrangente das relações comerciais com todos os parceiros dos EUA, incluindo impostos, tarifas, barreiras, regulamentações, câmbio e tudo o que pudesse significar “limitação injusta ao acesso ao mercado ou qualquer impedimento estrutural à concorrência justa”.

Na prática, a fórmula apresentada pelo governo dos EUA após Trump mostrar uma tabela em seu discurso, nesta terça (2), se resume à situação do saldo comercial, porque os outros elementos se anulam.

Basicamente, o governo Trump pegou o superávit comercial de um país com os Estados Unidos, dividiu sobre o total de exportações e, depois, dividiu a proporção por dois. No caso da China, isso dá 34% — que é a sobretaxa mínima que será imposta aos seus produtos. O Vietnã receberá 46%, Bangladesh, 37%, Suíça, 31%, África do Sul, 30%, Japão, 24%, União Europeia, 20%.

E quem tem déficit, como o Brasil? Ficou com uma taxa mínima de 10%. O mesmo foi aplicado para a Argentina, o Chile, a Colômbia, o Reino Unido.

“O comércio exterior, contudo, não funciona assim. Os países não têm só déficit ou superávit com todo o mundo. De acordo com a complementariedade da sua estrutura produtiva, com o que você precisa mais ou menos, você pode ter déficit ou superávit com alguém. Nenhuma teoria econômica diz que um país deve zerar o déficit com todos os parceiros comerciais, isso não faz sentido”, aponta Rossi.

O presidente Donald Trump – Foto: Reprodução

Ele avalia que Trump está tentando mudar o modelo de arrecadação para reduzir impostos, principalmente dos mais ricos, baseado em um modelo tarifário do século 19.

De acordo com o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) a fórmula simplista que é o quociente do superávit de um país com os EUA pelo total de suas exportações não tem múltiplos fatores, como prometido por Trump, mas garante que o resultado seja o mesmo. Ou seja, a redução do déficit dos EUA com esses países.

Reciprocidade, contudo, é o que os Estados Unidos devem receber agora de países que se sentiram injustiçados pela aplicação da fórmula primária.

Conheça as redes sociais do DCM:

⚪Facebook: https://www.facebook.com/diariodocentrodomundo

🟣Threads: https://www.threads.net/@dcm_on_line

Adicionar aos favoritos o Link permanente.