PF mira “Rei do Lixo” em operação que apura fraude bilionária com emendas

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quinta-feira (3), uma nova etapa da Operação Overclean, que investiga um esquema de corrupção liderado pelo empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”.

A operação apura o desvio de até R$ 1,4 bilhão em contratos públicos supostamente fraudados e em obras superfaturadas com recursos de emendas parlamentares.

A ofensiva de hoje cumpre mandados de busca e apreensão em 16 endereços nas cidades de Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Aracaju, além de determinar o afastamento de um servidor público por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, o esquema teria como epicentro o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), especialmente a Coordenadoria Estadual da Bahia (Cest-BA), mas também envolvia outras prefeituras e órgãos públicos.

No STF, o caso está sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, que determinou sigilo total sobre o processo.

Relações políticas

Preso no fim de 2024 e solto dias depois, José Marcos de Moura é apontado como peça central da organização criminosa, que usava contratos de limpeza urbana como fachada para os desvios.

Moura comanda um grupo com atuação em 17 estados, com destaque para Salvador (BA), onde mantém um contrato de R$ 427 milhões com a prefeitura para coleta de lixo — firmado ainda em 2018, por meio do consórcio Ecosal, e ativo até hoje.

Segundo a PF, o empresário tem ligações políticas com nomes de peso do União Brasil, como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, o atual prefeito Bruno Reis e o presidente nacional da sigla, Antonio Rueda. Em resposta, ACM Neto negou envolvimento com qualquer irregularidade.

As investigações revelaram ainda diálogos entre Moura e a chefe de gabinete do senador Davi Alcolumbre (União-AP), Ana Paula Magalhães. Em uma das mensagens, o empresário solicita apoio para liberar uma emenda de R$ 14 milhões voltada a uma licitação na cidade baiana de Juazeiro, onde parte do esquema teria sido executada.

Rede nacional

Durante as buscas, os agentes da PF apreenderam planilhas que detalham o alcance do esquema em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Pernambuco e Goiás. Os documentos listam nomes de responsáveis, projetos e valores atrelados a fraudes em licitações.

Em 2024, segundo os investigadores, o esquema movimentou R$ 824 milhões, mais da metade dos desvios apurados nos últimos quatro anos.

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