Bolsas pelo mundo X guerra comercial: o impacto do tarifaço nos mercados em 5 atos

Bolsa pregão def Ibovespa

Os últimos dias foram movimentados para o Ibovespa e para os mercados globais em geral, com a semana começando com a expectativa pelo anúncio de Donald Trump, presidente dos EUA de tarifas globais, seguindo de uma repercussão aos poucos das decisões do dirigente americano e terminando as duas últimas sessões do período com forte aversão ao risco.

Na semana, a perda de 3,52% foi a maior para o índice da B3 desde a semana de 12 a 16 de dezembro de 2022. No agregado das quatro primeiras sessões de abril, cai 2,31% – no ano, sobe 5,80%.

Confira abaixo o movimento dos ativos durante esta semana turbulenta para os investidores:

  1. Expectativa pelas tarifas

A semana começou permeada pela expectativa pelo “Dia da Libertação” de Donald Trump, que ocorreria na quarta-feira (2), às 17h (horário de Brasília). Mesmo ainda faltando alguns dias para o anúncio, a segunda-feira (31), último dia do trimestre, começou com baixa para o Ibovespa com os temores sobre o pacote tarifário de Trump, levando a uma fuga de ações de risco. A baixa do benchmark da Bolsa naquela sessão foi de 1,25%, mas ainda suficiente para o índice subir 6,08% do mês de março.

Já na véspera do Dia da Libertação, 1º de abril, o Ibovespa se descolou da cautela externa e fechou com ganhos de 0,68%, aos 131.147,29 pontos. Da mínima à máxima da sessão, foi dos 130.080,54 aos 131.982,29 pontos, saindo de abertura aos 130.266,57 pontos. 

2. O dia do anúncio

O dia 2 de abril, uma quarta-feira, chegou, trazendo grandes expectativas pelo anúncio de Trump no fim da tarde. Durante boa parte da sessão daquela quarta, o Ibovespa operou e fechou em torno do zero a zero, à espera das falas próximas aos ajustes de fechamento.

Se o Ibovespa à vista fechou com uma leve variação positiva de 0,03%, o mesmo não pode ser dito do índice futuro, que fechou às 18h25, repercutindo pelo menos as reações iniciais às falas de Trump.

Nos minutos iniciais do discurso e antes do anúncio de medidas mais diretas, o INDJ25 chegou saltar 1,53%, a 133.680 pontos, amenizou os ganhos e, conforme Trump foi detalhando as medidas tarifárias, passou a cair, com mínima a 130.900 pontos durante as falas, ou queda de 0,58%.

O índice futuro voltou a se recuperar, mas logo passou a ter quedas mais fortes e fechou em baixa de 0,69%, a 130.750 pontos, também seguindo a queda dos mercados americanos.

Trump anunciou a fixação de uma alíquota mínima de 10% sobre importações de todos os países. No entanto, nações que aplicam tarifas consideradas “elevadas” contra produtos norte-americanos enfrentarão taxas ainda maiores. Já as tarifas recíprocas para a China serão de 34%, enquanto os produtos da União Europeia serão taxados em 20%. Para o Japão, Coreia do Sul e Índia, as sobretaxas serão de 24%, 25% e 26%, respectivamente. Importações da Suíça terão uma tarifa de 31%, enquanto os produtos da Venezuela serão taxados em 15%. O Brasil foi taxado no patamar mínimo de 10%.

“Quando a coletiva de imprensa começou, o presidente disse que as tarifas começariam com uma base de 10% para todos os casos. Isso foi melhor do que o esperado, o que fez os futuros subirem. Mas, quando ele entrou nos detalhes e começou a dar exemplos de tarifas significativamente mais altas do que os 10%, foi aí que os futuros [dos EUA] viraram e caíram para o negativo, porque foi pior do que o esperado”, afirmou Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management, o que justificou a forte volatilidade dos índices futuros após o fechamento regular do mercado.

Enquanto a queda foi relativamente modesta no pós-mercado brasileiro, o mesmo não pode ser dito do futuro de NY, que chegaram a cair entre 1,5% e 2,3% logo após o anúncio na quarta.

3. A sessão pós-anúncio

Na sessão de quinta-feira (3) pós-anúncio de Trump, o Ibovespa escapou relativamente ileso dos efeitos secundários do Dia da Libertação com o tarifaço concretizado – e que teria saído barato a princípio para o Brasil ao ser tributado com a tarifa mínima prevista, em vigor a partir deste sábado (5).

Após a “Libertação” protecionista, boa parte dos mercados globais passou por acentuada correção, com destaque para o mergulho de 5,97% do índice de tecnologia de Nova York, o Nasdaq. Dow Jones cedeu 3,98% e S&P 500 caiu 4,84%. Já no Brasil, o índice da B3 fechou pouco abaixo da estabilidade (-0,04%), aos 131.140,65 pontos.

O dia seguinte ao tarifaço norte-americano foi de recuo limitado para os preços do minério de ferro na China, e de queda livre para o petróleo em Londres e Nova York, com perdas superiores a 6% no fechamento do Brent e do WTI.

Apesar do desempenho negativo das gigantes das commodities – Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) -, o dia foi de avanço para as ações de grandes bancos, em faixa acima de 1% para Itaú (ITUB4; PN +1,78%), Bradesco (BBDC3; ON +1,88%, BBDC4; PN +1 92%) e Santander (SANB11; Unit +1,40%). Na ponta ganhadora, Auren (AURE3; +7 58%), Magazine Luiza (MGLU3; +5,45%) e Iguatemi (IGTI11; +5,12%). No lado oposto, Brava (BRAV3; -7,18%), PRIO (PRIO3; -6,95%) e São Martinho (SMTO3;-5,79%).

Em geral, na sessão desta quinta, a queda dos juros futuros impulsionou empresas do setor de educação, como Yduqs (YDUQ3; +3,78%), e favoreceu papéis do setor de consumo, varejo e construção, como Lojas Renner (LREN3; +2,24%), Assai (ASAI3; +4,58%), Cyrela (CYRE3; +4,39%) e Magazine Luiza, destacou Alison Correia, analista da Dom Investimentos.

4. Pregão seguinte: ainda pior – e bem ruim para o Brasil

O pregão de sexta-feira também reservava fortes emoções ao mercado, principalmente após o anúncio de retaliação da China aos Estados Unidos – de idênticos 34% na tarifação das importações.

Isso reforçou a percepção de que uma estagnação econômica global esteja a caminho em meio à maré protecionista deflagrada pelo governo Trump. Assim, o petróleo despencou pelo segundo dia, o dólar subiu 3,68%, a R$ 5,83, e o Ibovespa teve sua maior queda desde 18 de dezembro, em baixa de 2,96%, aos 127.256,00 pontos, retrocedendo a nível de meados de março, com giro muito reforçado, a R$ 31,8 bilhões.

Se, na quinta-feira, o desempenho de bancos e de ações associadas ao ciclo doméstico foi o suficiente para manter o Ibovespa perto do zero a zero – em dia que já havia sido de correção global -, na sexta, a disseminação de perdas foi inevitável.

As bolsas de Nova York, por sua vez, despencaram pelo segundo dia consecutivo e fecharam o pregão com perdas superiores a 5% em seus três principais índices de ações. O sentimento geral de aversão ao risco se intensificou logo no início da sessão, com o anúncio de que a China pretende retaliar os Estados Unidos com uma tarifa de 34% sobre as importações americanas.

O Dow Jones caiu 5,50%, aos 38.314,86 pontos; o S? e o Nasdaq recuou 5,82%, aos 15.587,79 pontos, entrando em “bear market” com queda de mais de 20% desde seu recorde em dezembro. Na semana, o Dow Jones caiu 7,86%, o S&P 500 perdeu 9,08% e o Nasdaq tombou 10,02%.

Foi o pior desempenho semanal dos três índices desde o auge da crise da covid-19, o que tem levantado preocupações sobre uma possível recessão da maior economia do planeta. 

As ações das chamadas “Sete Magníficas” – Microsoft, Tesla, Nvidia, Apple, Amazon.com, Meta Platforms e Alphabet – também voltaram a despencar, apenas um dia depois de o grupo perder US$ 1,03 trilhão em valor de mercado. No acumulado dos dois últimos dias, a perda somou US$ 1,83 trilhão, elevando para US$ 4,26 trilhões a desvalorização desde o início do novo governo.

O índice de volatilidade VIX, conhecido como o “termômetro do medo” em Wall Street, subiu cerca de 50%, atingindo o maior nível desde agosto de 2024. “Neste ambiente, de dúvidas e incertezas, os investidores acionaram o botão de pânico e intensificaram a busca por ativos considerados mais seguros, o que se refletiu na forte queda dos rendimentos dos Treasuries (em função da apreciação desses títulos)”, aponta a Ágora Investimentos.

5. Incertezas continuarão?

Em meio a tanta volatilidade do mercado e temores de recessão, os próximos passos de Trump e a reação dos países – além de China – sobre a retaliação das tarifas estarão no radar dos investidores.

“É uma espécie de [concretização do] pior medo sobre o rumo que o programa tarifário está tomando”, disse Rick Meckler, sócio da Cherry Lane Investments, um escritório de investimentos familiar em New Vernon, Nova Jersey.

“Para os investidores que tinham certeza de que era apenas uma negociação — embora isso ainda possa ser verdade em algum momento — a situação está se aprofundando muito mais nos detalhes e se tornando mais perigosa para as empresas.”

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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