Fala muito! Senador dos EUA bate recorde de discurso mais longo; veja outros casos

Nesta semana, o senador democrata Cory Booker, de Nova Jersey, entrou para história do Senado dos Estados Unidos ao proferir o discurso mais longo da história da Casa, com ininterruptas 25 horas e 5 minutos de fala. Ele suplantou o recorde que permanecia desde 1957, quando o republicano conservador Strom Thurmond falou aos seus pares durante 24 horas e 18 minutos, num prática de obstrução conhecida como “filibuster”.

O longo discurso de Brooker não se configurou como um “filibuster” porque ele não pretendia obstruir nenhuma votação importante, apenas marcar sua posição contra a agenda do governo de Donald Trump, como a política sobre tarifas, o esforço liderado pelo bilionário Elon Musk para reduzir a burocracia federal e os possíveis cortes no Medicaid.

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Já Strom Thurmond tentou, décadas antes, impedir a votação de uma das primeiras leia pelos direitos civis.

Mas como é essa prática “filibuster” e em quais outras situações isso ocorreu? O InfoMoney fez uma lista dos recordes anteriores e curiosidades.

1908 – La Follette e a “gemada assassina”

O senador La Follete, um dos símbolos do “filibuster” (Foto: Reprodução/SEnados dos EUA)

Robert M. La Follette foi por quase meio século o detentor do recorde de discurso único, somando 18 horas e 23 minutos, com pausas para apartes. O novato senador por Winsconsin estava lutando contra uma medida destinada a proteger a moeda  e irritou muitos colegas ao longo da noite pelos insistentes pedidos de verificação de quórum. Sua popularidade também não estava em alta com os funcionários da cozinha quando, no início da madrugada, pediu um sanduíche de peru e uma gemada. Ao dar um longo gole durante o lanche, afastou o copo e disse que havia sido drogado. Nas horas seguintes, ele se socorreu com apartes de aliados para poder correr ao banheiro durante uma crise intestinal. Anos mais tarde, ele disse que a gemada tinha sido analisada e que a mistura de leite e ovos continha bactérias tóxicas suficientes para matar qualquer pessoa que consumisse o copo inteiro. 

Obstrução em grupo

Em 1915, uma obstrução contenciosa sobre um projeto de lei para comprar navios mercantes terminou após 33 dias, com uma coalizão de republicanos e democratas conservadores bloqueando a legislação. Já em março de 1917, quando os Estados Unidos se preparavam para entrar na Primeira Guerra Mundial, um grupo de 11 senadores obstruiu com sucesso um projeto de lei que permitia ao presidente Woodrow Wilson armar navios mercantes dos Estados Unidos. La Follette estava no grupo que falou durante 24 horas, mas a legislação foi aprovada semanas depois, por ampla maioria.

Contra o “New Deal”

O famoso plano “New Deal”, do presidente Franklin Roosevelt, também foi alvo de obstrução. Huey Pierce Long, da Louisiana, falou em 1935 contra a legislação de medidas econômicas e sociais por 15 horas e 30 minutos, a segunda mais longa obstrução do Senado até então. Famoso por distribuir Bíblias aos repórteres que cobriam o Congresso, seu motivo era impedir que seus inimigos políticos na Louisiana obtivessem empregos lucrativos na agência estatal NRA.

Hollywood

A obstrução de um homem só virou roteiro e filme de sucesso em Hollywood em 1930. Na película “Mr. Smith Goes to Washington” [“A Mulher faz o Homem” no título em português], o ingênuo chefe de escoteiros Jefferson Smith (James Stewart) torna-se senador incentivado por um grupo de políticos que pretendem transformá-lo num marionete a serviço de seus interesses. O ambiente corrupto fica às claras quando um projeto de Smith para criar um acampamento para jovens bateu de frente com outro, para a construção de uma barragem num rio na mesma região. Ele é difamado e acusado de tentar se beneficiar financeiramente e chega perto da exaustão ao defender seu ponto de vista. O clássico filme do diretor Frank Capra foi até acusado de antipatriota pela forma que mostrou os senadores. Ganhou um Oscar por Roteiro Adaptado.

Terras submersas

O recorde de obstrução mais longa foi quebrado em 1953, quando Wayne Morse discursou por 22 horas e 26 minutos contra a lei que discutia a propriedade estadual versus a federal sobre  terras petrolíferas offshore submersas. O chamado “O Tigre do Senado” começou como político republicano, mas se tornou como independente uma dor de cabeça para cinco presidentes. Em janeiro de 1953, Morse chegou à sessão de abertura do 83º Congresso com uma cadeira dobrável. “Como não recebi nenhum assento no novo Senado, decidi trazer o meu.” 

Contra os direitos civis

James Strom Thurmond, da Carolina do Sul, um fervoroso oponente da legislação de direitos civis, foi o responsável pelo recorde de discurso mais longo até ser batido em 2025. Ele já havia adquirido fama por obstruir todos os projetos de lei nesse sentido que que chegavam ao Senado. Essa obstrução durou 24 horas e 18 minutos em agosto de 1957, mas isso de pouco adiantou porque a proposta foi aprovada no dia seguinte. Na época, ele se juntou a outros 18 senadores do sul para assinar Manifesto do Sul, uma declaração que pedia resistência à dessegregação na educação pública após decisões históricas da Suprema Corte dos EUA.

Teto da dívida

Que tal ficar por 16 horas e 12 minutos ouvindo alguém falar de aumento do teto da dívida pública. O senador William Proxmire, de Wisconsin, foi o autor da proeza em setembro de 1981. Proxmire alertou que sobre o aumento do nível de endividamento do país, durante a votação de um projeto para autorizar uma dívida total de US$ 1 trilhão. Seus detratores no Senado apontaram que os contribuintes estavam pagando dezenas de milhares de dólares para manter o plenário aberto a noite toda durante seu discurso. Essa dívida já aumentou várias vezes desde então.

Gasto militar

Alfonse D’Amato, de Nova York, falou por 23 horas e 30 minutos para paralisar o debate sobre um importante projeto de lei militar em 1986. D’Amato atacou uma emenda ao projeto de lei que teria cortado o financiamento de um avião a jato de treinamento construído por uma empresa com sede em seu estado, de acordo com relatórios publicados. Esta foi apenas uma das obstruções mais famosas e mais longas de D’Amato. Em 1992, ele fez “obstrução de cavalheiros” por 15 horas e 14 minutos, segurando um projeto de lei fiscal de US$ 27 bilhões.

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