Fábrica de carros de luxo suspende exportações aos EUA contra “tarifaço” de Trump

Jaguar Land Rover: Fábrica suspende exportações aos EUA contra o tarifaço de Trump. Foto: reprodução

A Jaguar Land Rover anunciou, neste sábado (5), a suspensão temporária das exportações de veículos britânicos para os Estados Unidos, medida que deve durar um mês enquanto a fabricante avalia como absorver o impacto das novas tarifas de 25% impostas pelo governo de extrema-direita de Donald Trump. A decisão afeta modelos premium como Range Rover Sport e Defender, que representam cerca de 25% das vendas globais da marca.

“Enquanto trabalhamos para ajustar os novos termos comerciais com nossos parceiros de negócios, estamos tomando algumas ações de curto prazo, incluindo a pausa nas remessas em abril”, informou a empresa em comunicado. A JLR, que exporta anualmente cerca de 400 mil veículos para o mercado estadunidense, destacou que os EUA são “um mercado importante para suas marcas de luxo”.

O setor automotivo britânico, que emprega diretamente 200 mil pessoas, enfrenta um desafio significativo com as novas barreiras comerciais.

Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações de carros do Reino Unido, respondendo por quase 20% do total, atrás apenas da União Europeia. A medida de Trump, que entrou em vigor neste sábado, faz parte de uma ampla política protecionista que afeta mais de 180 países.

As novas alíquotas estadunidenses variam conforme o país: 34% para produtos chineses, 25% para coreanos, 24% para japoneses e 20% para europeus. O Brasil foi incluído com taxa de 10%. “É a nossa declaração de independência econômica”, declarou Trump ao anunciar as medidas, que ele descreveu como forma de proteger a indústria nacional.

Donald Trump mostra países afetados pelo tarifaço, com China liderando a lista, durante evento na Casa Branca, na última quarta (2). Foto: Brendan Smialowski/AFP

Especialistas, no entanto, alertam para os efeitos negativos da medida. A revista especializada The Economist, também britânica, destacou o isolamento dos EUA imposto por Trump. No editorial, a publicação ironizou o “Dia da Libertação”, anunciado pelo republicano, com a manchete de “Dia da Ruína”.

A revista afirmou que as tarifas “irracionais” impostas por Trump “causarão estragos econômicos”, e destacou que outros países podem tomar medidas para limitar os danos. As afirmações do presidente foram classificadas como “um absurdo completo”, com a Economist argumentando que sua compreensão dos detalhes técnicos foi “patética”.

“Trump chamou este momento de um dos dias mais importantes da história americana. Ele quase está certo. Seu ‘Dia da Libertação’ marca o abandono total dos EUA da ordem comercial mundial e a adoção do protecionismo”, diz o texto.

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