A pergunta de “US$ 1 milhão” para Brasil e o otimismo com Argentina, segundo JPMorgan

O JPMorgan manteve o Brasil como overweight (exposição acima da média) dentro da América Latina, justificado não apenas pela dinâmica global, mas por poder ser um dos maiores mercados beta (métrica que mede a volatilidade de um ativo ou portfólio em relação ao mercado) entre os emergentes e com o “bônus das eleições em 2026”.

“O potencial de alta é grande, mas os investidores se preocupam com o momento e quando ser alocado”, avaliam Emy Shayo e equipe, estrategistas do JPMorgan.

Especificamente sobre o bônus eleitoral do Brasil, os estrategistas do banco americano apontam que “a pergunta de um milhão de dólares” que muitos investidores têm feito é se é muito cedo para se posicionar para as eleições de 2026. Para eles, a resposta é sim: ainda é muito cedo, dados os desempenhos das eleições anteriores.

“Olhando para as eleições passadas, o Brasil tem desempenho inferior nos 6 meses antes das eleições em relação aos mercados emergentes. Esse desempenho inferior ocorre não importa quem vença. Além disso, a única exceção importante foi durante o impeachment (com altos retornos 6 meses antes, 1 mês antes e 6 meses depois das eleições), transição de um governo populista para um não populista, e não houve processo eleitoral, então não havia incerteza sobre quem assumiria. Podemos estar novamente nos movendo para um governo não populista”, avalia o JPMorgan.

Além disso, os estrategistas do banco avaliam, por fim, que há um paradoxo, porque “um bom 2025 seria um mau 2026” e vice-versa. “Se esta administração começar com medidas populistas em termos de política fiscal, o mercado não reagirá bem, o câmbio se depreciará, as taxas subirão ainda mais, o crescimento cairá mais. Se forem mais prudentes, o câmbio se valoriza, as taxas eventualmente cairão e o crescimento pode aumentar exatamente no momento da eleição”, aponta a equipe de estratégia.

Olhando para a América Latina em geral e para os emergentes, o banco vê os países como “beneficiários acidentais” do cenário global. O crescimento mais lento dos EUA, maior crescimento da Zona do Euro e da China permitiram uma realocação global de recursos. “Emergentes, e consequentemente a América Latina, se beneficiam dessa estrutura e devem ver entradas”, avalia o banco.

Para os países específicos, o JPMorgan está neutro em México, tendo rebaixado recentemente os ativos do país devido a dois fatores principais: 1) risco tarifário, ainda pendente de resolução, e 2) crescimento econômico mais fraco, com o JPMorgan prevendo uma recessão já no 1T com um PIB de 2025 em -0,2%. Alguns ventos favoráveis ​​potenciais são a presidente Claudia Sheinbaum assumindo o controle do partido MORENA, bem como resoluções tarifárias junto com o próximo acordo com os EUA definido para começar em outubro.

O banco continua construtivo sobre a Argentina. Com uma queda do benchmark da Argentina em queda de 10% no acumulado do ano e sendo um dos piores desempenhos, o JPMorgan destacou aproveitar esta oportunidade para reforçar a sua visão construtiva após a reunião com o setor público e privado, com base em 3 pilares: 1) o acordo com o FMI deve ser bem-sucedido, 2) La Libertad Avanza, do presidente Javier Milei, deve ter um desempenho sólido nas eleições de meio de mandato deste ano em outubro, melhorando a governabilidade, e 3) as expectativas de crescimento permanecem fortes.

O JPMorgan segue overweight para o Chile. “Apesar do forte rali de +20% no acumulado do ano, acreditamos que o momentum deve continuar com mais potencial de alta”, avalia o banco, com a aprovação de reforma da previdência e otimista com preços do cobre.

A exposição para Colômbia e Peru, por sua vez, é underweight (exposição abaixo da média). “O desempenho superior da Colômbia não é totalmente justificado pelos fundamentos, com déficit fiscal crescente, chances de perder grau de investimento e avaliações esticadas. Pesquisas mostram que as chances de mudança de regime de política são relevantes. A perspectiva política do Peru é nebulosa com desaprovação generalizada da administração atual, mas com uma história macro melhor e bons nomes como Credicorp e nomes menores com desconto como IFS e InRetail”, avalia o banco.

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