Preços do cacau, café e açúcar caem com mercados abalados pelas tarifas

Os preços mundiais do cacau, do café e do açúcar caíram novamente na sexta-feira, já que os mercados continuaram abalados pelas tarifas abrangentes do presidente dos EUA, Donald Trump, especialmente depois que a China retaliou com suas próprias taxas sobre as importações dos EUA.

Na quarta-feira, Trump impôs uma tarifa de 10% sobre a maior parte das importações dos EUA e taxas muito mais altas, de mais de 50%, sobre alguns países, o que provocou uma liquidação mundial nos mercados acionários, já que nações como o Canadá e a China prepararam uma retaliação.

Após essa medida, muitos fluxos comerciais dos produtores mais afetados agora entrarão em um labirinto para encontrar demanda em outros países”, disse o Rabobank em um relatório que advertiu que a nova demanda virá “a um custo de eficiência”.

O banco também disse que, à medida que o “dia da retaliação” se aproxima, os consumidores de café e chocolate dos EUA devem esperar produtos mais caros, já que o principal produtor de cacau, a Costa do Marfim, enfrenta uma tarifa de 21%, enquanto o segundo produtor de café, o Vietnã, enfrenta uma “humilhante” taxa de 46%.

Os futuros do cacau em Londres caíram 313 libras, ou 4,7%, para 6.370 libras por tonelada métrica na bolsa ICE, considerada uma referência de preço global, enquanto o cacau em Nova York caiu 8,4%, para US$ 8.512 a tonelada.

Além de consumir a maior parte do chocolate, os EUA também são o principal importador mundial de produtos processados de cacau, como manteiga, da União Europeia, Malásia e Indonésia, que agora enfrentam tarifas de 20%, 24% e 32%, respectivamente.

Os contratos futuros do café arábica caíram 5,1%, para US$ 3,657 por libra-peso, enquanto o café robusta caiu 4,8%, para US$ 5.128 a tonelada.

Os negociantes disseram que as preocupações com a demanda estão crescendo no café e que as tarifas de Trump chegam em um momento em que os torrefadores já estão enfrentando resistência em sua tentativa de repassar os preços quase recordes para as lojas de varejo no maior país consumidor de café do mundo.

“Se aplicadas, as novas tarifas (46%) poderiam significar o fim do café do Vietnã nos EUA, pois criariam diferenças significativas de preço com as origens concorrentes de robusta — uma diferença maciça de 36 pontos percentuais (~US$1.944/tonelada) em comparação com o Brasil”, disse um negociante.

Em outras commodities, o açúcar bruto caiu 0,27 centavo, ou 1,4%, a 18,84 centavos de dólar por libra-peso, tendo fechado em queda de 2,5% na quinta-feira, enquanto o açúcar branco caiu 1%, a US$ 538,30 por tonelada, tendo perdido 1,6% na sessão anterior.

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