O vira-latismo não sabe o que fazer com a ‘traição’ de Trump. Por Moisés Mendes

A influencer Maria Carolina Gontijo, colunista do Estadão, aliás “Duquesa de Tax”

Uma reação clássica dos analistas de direita, que estão meio perdidos nos jornalões com as loucuras de Trump. Uma comentarista de economia, que se apresenta no Estadão como Duquesa de Tax, especialista em assuntos tributários, é a dona dessa chamada de capa do jornal:

“O Brasil está no meio de uma guerra comercial e é melhor ficar quietinho”.

Uma ‘duquesa’ (que é na verdade a influencer Maria Carolina Gontijo) acha que o Brasil deve encolher o rabo e não latir.

Antigamente, mais muito antigamente, chamavam esse tipo de raciocínio de complexo de vira-lata, a partir da definição genial de Nelson Rodrigues tatuada testa de quem acha que devemos ficar quietinhos porque somos inferiores.

Hoje, pode-se dizer que é complexo de chinelagem mesmo, de subserviência dos que botaram ou gostariam de botar o boné de Trump.

O jornal diz o seguinte sobre a análise da duquesa: “A colunista do Estadão analisa o anúncio feito pelo presidente americano e considera que Brasil vai ‘sair machucado’ e talvez não tenha muita margem para negociação”.

Nada mais vira-lata do que se sentir machucado antes de se machucar.

Mas está no contexto do colunismo dos jornalões, que é assumidamente de direita. Alguns colunistas têm conexões com a extrema direita e apoiaram a campanha de Trump. Publicamente ou discretamente.

Só não vestiram o boné da América grande de novo porque as corporações de mídia não permitem. Todos hoje estão sem saber o que fazem, mas alguns já estão atacando Trump, como se nunca tivessem estado ao lado do fascista. Sentem-se traídos.

Um deles é esse aqui, o Rubinho do jornalismo brasileiro, que apresenta a sua eureca na capa do Estadão: “William Waack: Tarifaço de Trump encerra o século americano e inicia o século chinês. Como fica o Brasil?”

Com o tarifaço, o sujeito descobriu a China. Tudo tem seu tempo.

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