Erika Hilton analisa o avanço da extrema-direita nas redes e ruas: “São mais sagazes”

A deputada federal pelo PSOL-SP Erika Hilton. Foto: reprodução

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) disse, em entrevista ao Uol, que a esquerda está perdendo terreno para a extrema-direita tanto no ambiente digital quanto nas ruas. “Eles são muito sagazes”, admitiu a parlamentar, reconhecendo a eficácia dos adversários políticos na construção de narrativas.

Com a proximidade do ato bolsonarista na Avenida Paulista, programada para o domingo (6), Hilton analisou atual correlação de forças: “A última manifestação da extrema-direita foi um fiasco. Não tem problema se a atividade deles for no futuro um pouco maior que a da esquerda”.

No entanto, ela insiste na necessidade urgente de reocupação dos espaços públicos. “Precisamos reaquecer o coração da nossa gente”, defendeu.

O discurso de Hilton aponta uma divisão na esquerda entre setores que abraçam a renovação e outros que resistem a ela. “Existem setores da esquerda que ainda não entenderam que é importante renovar mulheres negras, mulheres jovens, lideranças LGBTQIA+”, criticou, referindo-se aos que classificam essas pautas como meramente “identitárias”.

A parlamentar não esconde os desafios internos: “Tenho um apoio grande por parte da esquerda, ao mesmo tempo em que eu sei que tem pessoas que têm uma aversão, um horror, uns ciúmes, até uma certa inveja da minha capacidade de comunicação”.

Seu projeto é claro – construir pontes: “Quero falar com quem discorda de mim, mas que entende que pode discordar de maneira respeitosa”.

Sobre a especulação de uma candidatura ao governo de São Paulo, Hilton foi realista: “A chance é quase nula”. Apesar do interesse de setores da esquerda, ela reconhece as dificuldades do eleitorado paulista, especialmente no interior. “Jamais iria para uma disputa do governo do estado só com o PSOL”, afirmou, destacando a necessidade de amplas alianças.

Erika Hilton lidera os esforços pelo fim da escala 6×1 no Congresso. Foto: reprodução

Fim da escala 6×1 e fake news

A deputada segue na aposta da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a jornada de trabalho, a chamada PEC do fim da escala 6×1. “Tive uma reunião importante com a ministra Gleisi… O governo colocou-se extremamente interessado em participar”, revelou sobre os esforços para avançar com a proposta.

“Eu havia solicitado uma reunião com o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), mas aí o presidente Lula chamou ele para o Japão e essa reunião foi adiada. Estou esperando ele retornar para que a gente possa conversar, para que seja feito o despacho do texto para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania)”, comentou a parlamentar.

Nas redes sociais, Hilton se apresenta como “antídoto” às fake news. “A extrema direita usa [as redes] com mentira, com desinformação. A gente usa com a verdade”, contrastou, citando como exemplo sua resposta a um vídeo enganoso sobre o Pix. Seu objetivo é ambicioso: “Não me interessa me comunicar apenas com a esquerda… Quero falar com o Brasil”.

O medo da violência política aparece como preocupação constante. Hilton lembra o caso do falso laudo médico usado contra Guilherme Boulos: “Quando você tem um laudo falso apresentado praticamente em rede nacional, você rouba uma oportunidade do eleitor”. Para ela, as eleições no Brasil estão se tornando “violentas, brutais”, beirando o “antidemocrático”.

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